Adubação do café arábica: doses por saca e o que muda numa cultura perene
Adubar café é diferente de adubar soja, e a diferença não é só de tabela. Numa cultura perene, você não está nutrindo uma safra: está mantendo uma lavoura instalada que vai produzir por décadas, e cujo erro de manejo leva anos para ser corrigido.
As doses abaixo seguem a 5ª Aproximação da CFSEMG, que é a referência de café arábica.
Calagem: a meta é 60%
Saturação por bases a 60%, tanto em sequeiro quanto em irrigado. É mais alta que os 50% da maioria das anuais do Cerrado, e a razão é o ciclo: a correção precisa sustentar a lavoura por vários anos entre uma intervenção e outra.
Complementar o magnésio pelo calcário, como sempre. Em lavoura formada, a aplicação é em superfície, na projeção da copa, e a reação é gradual.
As doses por faixa de produtividade
A produtividade é expressa em sacas por hectare, e a dose de N cresce junto com ela:
| Produtividade (sacas/ha) | N (kg/ha) |
|---|---|
| até 20 | 200 |
| 21 a 30 | 250 |
| 31 a 40 | 300 |
| 41 a 50 | 350 |
As faixas seguem acima disso, com doses correspondentes. Repare na ordem de grandeza: são valores bem superiores aos de uma cultura anual, porque a planta mantém estrutura permanente além de produzir fruto.
Fósforo e potássio
P₂O₅ e K₂O são definidos pelo cruzamento entre a produtividade esperada e a classe de teor do solo. Na faixa de até 20 sacas, por exemplo, o P₂O₅ vai de 30 kg/ha em solo Muito Baixo a zero em solo Bom ou Muito Bom; o K₂O vai de 200 kg/ha em solo Baixo a zero em Muito Bom.
Ou seja: em solo bem construído, a dose de fósforo pode ser zero mesmo numa lavoura produtiva. O que a planta exporta continua sendo reposto pelo potássio e pelo nitrogênio, que são os que mais saem no fruto.
Um detalhe importante da classificação
No café, a classe de teor de fósforo é definida por faixa de argila e a de potássio por faixas próprias, e não pela mesma tabela genérica usada nas anuais. Isso significa que interpretar o laudo de um cafezal com a régua da soja produz classe errada e, portanto, dose errada.
Mesma coluna do laudo, régua diferente. É por isso que a cultura escolhida muda a recomendação antes mesmo de a dose ser calculada.
Enxofre
A recomendação para café é de 40 kg/ha de S, a mais alta entre as culturas cobertas pelo SoloLab. Quem faz gessagem já entrega parte disso, porque o gesso carrega em torno de 15% de enxofre.
Três coisas que mudam numa perene
- Parcelamento longo. O N e o K são distribuídos ao longo do período chuvoso, acompanhando os estádios de florada, chumbinho e granação, em vez de duas aplicações e pronto.
- Análise foliar pesa mais. Em perene, o histórico nutricional da planta é tão informativo quanto o solo. Veja o que olhar num laudo foliar.
- Bienalidade. A produção alterna entre anos de carga alta e baixa, e a expectativa de rendimento precisa considerar isso, não a média simples.
Conilon é outra conta
Este post trata do arábica. O conilon tem exigência e manejo próprios, cobertos em adubação do café conilon no Cerrado.
Para rodar com o seu laudo, escolha "Café (arábica)" em calculadora de adubação NPK, e confira a correção em calagem.
Fonte: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais, 5ª Aproximação.
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