Cloreto ou sulfato de potássio: quando vale pagar a diferença
Praticamente todo potássio aplicado no Brasil é cloreto de potássio, o KCl. Ele é mais concentrado, mais disponível e mais barato. Ainda assim, o sulfato de potássio existe e tem seu lugar. Vale saber qual é.
As duas fontes
| Fonte | K₂O | Acompanha | Índice salino |
|---|---|---|---|
| Cloreto de potássio (KCl) | 60% | Cloreto | Alto |
| Sulfato de potássio (K₂SO₄) | ~50% | Enxofre (~17%) | Bem menor |
O teor do KCl é o que o SoloLab usa na tabela de fontes. O sulfato não entra na lista padrão do sistema por ser de uso restrito no Cerrado; se você usar, monte pela via de matérias-primas.
Por que o KCl domina
Três razões objetivas: entrega mais potássio por tonelada, custa menos por unidade de K₂O e está disponível em qualquer revenda. Para a esmagadora maioria das lavouras de grãos, ele é a escolha certa e a conversa acaba aqui.
Os dois problemas que o cloreto pode causar
1. Índice salino alto
O KCl tem alto poder de elevar a concentração de sais na solução do solo ao redor do grânulo. Isso importa em duas situações:
- Dose alta no sulco de semeadura. Sal concentrado perto da semente causa dano por efeito osmótico: a semente perde água para o solo em vez de absorver. O resultado é falha de estande.
- Solo arenoso e de CTC baixa. Menos volume de solo para diluir, mais risco.
É por isso que Sousa & Lobato pede parcelamento quando a dose passa de 60 kg/ha de K₂O, principalmente em solos com CTC abaixo de 4 cmolc/dm³. Não é só lixiviação: é salinidade no sulco. Ver lixiviação e parcelamento de potássio.
2. O cloreto em si
Algumas culturas são sensíveis ao cloreto, e nelas ele afeta a qualidade do produto. Os casos mais citados são fumo, batata e algumas frutíferas, em que o cloreto interfere na queima, no teor de amido ou no sabor.
Para grãos do Cerrado, essa sensibilidade em geral não é limitante.
Quando o sulfato compensa
- Quando você também precisa de enxofre. O sulfato entrega em torno de 17% de S. Se a recomendação pede S e você ia comprar à parte, a conta muda.
- Em cultura sensível a cloreto.
- Em solo com problema de salinidade ou em irrigação com água salina, situações tratadas em salinidade do solo sob irrigação.
- Em dose alta concentrada no sulco, onde o índice salino menor reduz o risco de dano.
Como decidir sem achismo
Faça a comparação por custo por kg de K₂O, e depois desconte o valor do enxofre que o sulfato entrega de brinde:
Custo por kg de K₂O = preço da tonelada ÷ (teor de K₂O em % × 10)
Se a diferença por quilo de K₂O for menor que o custo de comprar o enxofre separado, o sulfato ganhou. Se for maior, o KCl com fonte de S à parte sai melhor.
E lembre da terceira via: quem faz gessagem já resolveu o enxofre, porque o gesso carrega em torno de 15% de S. Nesse caso, a vantagem do sulfato praticamente desaparece.
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