Prática

Deriva na pulverização: o que faz a gota sair da área e como segurar

Deriva é o produto que você comprou, pagou e aplicou, mas que não ficou onde deveria. Ela custa duas vezes: no controle que não aconteceu e no dano que pode causar na vizinhança.

O tamanho da gota manda

Gota é medida em micrômetros. A classificação vai de muito fina a extremamente grossa, e a escolha é sempre um equilíbrio:

GotaCoberturaRisco de deriva
FinaExcelente: muitas gotas por cm²Alto
MédiaBoaModerado
GrossaMenor número de gotasBaixo

A regra prática: produto de contato pede cobertura, portanto gota mais fina; produto sistêmico tolera gota maior, porque a planta redistribui internamente.

Por que gota pequena some

Duas coisas acontecem ao mesmo tempo:

  1. Evaporação. Gota pequena tem muita superfície para pouco volume. Em ar quente e seco, ela encolhe durante a queda, fica ainda mais leve e passa a viajar.
  2. Suspensão. Abaixo de certo tamanho, a gota praticamente não cai: fica suspensa e vai para onde o vento levar.

As condições que fazem a diferença

CondiçãoFaixa favorávelPor quê
VentoBrisa leve e constanteVento zero é pior do que parece: favorece inversão térmica
Umidade relativaMais altaReduz a evaporação da gota em queda
TemperaturaMais amenaMesma razão
Inversão térmicaEvitarPrende a névoa perto do solo e a transporta longe

A armadilha da calmaria

Parece intuitivo aplicar com vento zero. Só que calmaria total, sobretudo no fim da tarde e à noite, costuma coincidir com inversão térmica: uma camada de ar frio presa junto ao solo sob ar mais quente. Nessa condição a névoa não dispersa verticalmente, fica suspensa e pode ser levada a distâncias grandes quando o vento retorna.

Vento leve e constante dispersa. Calmaria com inversão acumula e transporta depois.

O que reduz deriva na prática

  1. Bico antideriva ou de indução de ar. Produz gota maior com boa distribuição. É a medida isolada mais eficaz.
  2. Reduzir a pressão, dentro da faixa de trabalho do bico. Menos pressão, gota maior.
  3. Baixar a barra. Quanto menor a altura, menor o tempo de queda e menos oportunidade de a gota viajar. Respeitando a sobreposição correta do bico.
  4. Reduzir a velocidade. Velocidade alta cria turbulência atrás da barra e joga gota para cima.
  5. Escolher a janela climática, em vez de aplicar porque a máquina está disponível.

Um lembrete de responsabilidade

Aplicação de defensivo tem regramento próprio, incluindo receituário agronômico emitido por profissional habilitado e normas estaduais sobre condições de aplicação e distâncias mínimas. Este texto trata da física da gota, não substitui a recomendação técnica nem a legislação aplicável. Ver ART e responsabilidade técnica.

Para a conta de volume de calda, veja volume de calda por hectare.

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