Óxido, sulfato ou quelato: as formas de micronutriente e o que muda entre elas
Dois produtos dizem "20% de zinco" no rótulo e custam bem diferente. Não é necessariamente um deles ser caro à toa: pode ser que o zinco esteja em formas químicas distintas, com solubilidades muito diferentes.
As três formas
Óxidos
São os de menor custo por unidade de nutriente e os de menor solubilidade. Óxido de zinco, óxido de manganês. Liberam devagar, o que pode ser vantagem em aplicação a lanço para efeito residual, e desvantagem quando a planta precisa agora.
Cuidado especial: a solubilidade de óxidos varia bastante com a granulometria e com o processo de fabricação. Óxido grosseiro pode ser praticamente inerte no ciclo da cultura.
Sulfatos
Solúveis em água, resposta rápida, custo intermediário. É a forma padrão das recomendações de solo: sulfato de zinco, sulfato de cobre, sulfato de manganês. Entregam enxofre junto.
São as fontes que o SoloLab sugere na recomendação de micronutrientes, justamente por serem o padrão das tabelas de referência.
Quelatos
Aqui o metal está envolvido por uma molécula orgânica, o agente quelante (EDTA, DTPA, EDDHA, aminoácidos). Essa proteção evita que o micronutriente reaja com o solo e fique indisponível antes de a planta absorver.
São os mais caros por unidade de nutriente e os mais eficientes em situações específicas.
O que o quelato resolve
O problema real que ele ataca é a reação com o solo. Micronutriente metálico aplicado num solo com pH corrigido tende a precipitar e sair de circulação rápido, principalmente ferro, zinco e manganês.
Faz sentido pagar por quelato quando:
- O solo tem pH alto, condição em que os metais precipitam
- Aplicação foliar, em que a penetração na folha é o que importa
- Fertirrigação, em que o produto precisa permanecer solúvel na linha e na água
- Correção de deficiência já instalada, quando se precisa de resposta rápida
E não compensa quando a aplicação é via solo, em correção preventiva, com solo ácido a levemente ácido. Nesse cenário o sulfato entrega o mesmo resultado por bem menos.
Quelato é seguro contra a reação com o solo. Se o solo não vai reagir com o micronutriente, você está pagando um seguro que não precisa.
A via de aplicação
| Via | Quando usar | Forma indicada |
|---|---|---|
| Solo, a lanço | Correção de deficiência generalizada, efeito residual | Sulfato ou óxido |
| Solo, no sulco | Junto da adubação de semeadura, dose pequena e bem distribuída | Sulfato, ou micro na formulação |
| Tratamento de semente | Dose muito pequena, alto contato com a plântula | Formulações específicas |
| Foliar | Correção rápida, ou quando o solo trava o nutriente | Quelato ou sulfato solúvel |
Sobre a via foliar, leia quando a adubação foliar complementa. Ela corrige e complementa, mas não substitui a correção via solo em deficiência estrutural.
Um cuidado que vale por todos
Micronutriente tem faixa estreita entre deficiência e toxidez. Boro é o exemplo clássico: a diferença entre a dose que corrige e a que intoxica é pequena, e o excesso não tem como ser retirado do solo.
Por isso, aplicação repetida "por garantia", ano após ano, sem análise, é caminho para acumular. Ver boro no Cerrado e micronutrientes no Cerrado.
Antes de comprar
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