Adubação de milho no Cerrado: guia sem enrolação
Milho no Cerrado responde muito a manejo de adubação. É a cultura mais exigente em N do país, e onde parcelar bem faz mais diferença. Vamos ao cálculo.
Antes de calcular: o laudo diz sim
V% ≥ 60%, Al ≤ 0,2 cmolc/dm³ na camada arável. Se não estiver, calagem/gessagem antes. Sem isso, adubação vira desperdício.
Nitrogênio
Milho consome ~20 kg de N por tonelada de grão. Pra 10 t/ha, precisa de 200 kg/ha de N.
- Semeadura: 20-30 kg/ha de N (dá "arranque")
- V4 (~30 dias): 60-80 kg/ha de N
- V8 (~50 dias): 90-120 kg/ha de N
Nunca aplique tudo no plantio (perde por lixiviação/volatilização e "queima" a semente).
Fósforo
Aplique tudo no sulco na semeadura. Doses típicas (Cerrado):
| P no solo (Mehlich) | P₂O₅ semeadura (kg/ha) |
|---|---|
| Muito baixo | 120-150 |
| Baixo | 80-120 |
| Médio | 60-80 |
| Adequado | 40-60 (reposição) |
Potássio
Divida em duas parcelas pra evitar salinidade e perda por lixiviação em solo arenoso:
- Semeadura: 40-50% do K₂O total
- Cobertura (V4-V6): 50-60% do K₂O total
Doses típicas: 80-120 kg/ha de K₂O em solo médio, chegando a 150 em solo muito baixo.
Enxofre e micros
Milho exige S. 20-40 kg/ha via gesso ou superfosfato simples. Boro e Zinco na fórmula do sulco. Sem isso, produtividade trava em ~8 t/ha por mais NPK que você jogue.
Milho é sensível a veranico. Parcelamento correto do N é o que separa 6 t/ha de 10 t/ha na mesma área, mesmo clima.
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