Ureia comum, ureia protegida ou nitrato de amônio: qual fonte de nitrogênio usar
A ureia é a fonte de nitrogênio mais usada do mundo, por um motivo simples: é a mais concentrada e a mais barata por quilo de N. E é também a que mais perde. Entender essa troca é o que separa comprar bem de comprar barato.
As fontes
| Fonte | N | Traz junto | Risco principal |
|---|---|---|---|
| Ureia | 45% | — | Volatilização de amônia |
| Sulfato de amônio | 21% | 24% de S | Acidifica o solo |
| Nitrato de amônio | ~32% | — | Lixiviação do nitrato; controlado |
Os teores de ureia e sulfato de amônio são os que o SoloLab usa na tabela de fontes.
Por que a ureia volatiliza
Aplicada no solo, a ureia é atacada pela enzima urease, produzida por microrganismos e presente em praticamente todo solo, principalmente onde há palhada. A hidrólise converte a ureia em amônio e, no processo, eleva o pH bem ao redor do grânulo.
Esse pH alto localizado empurra o equilíbrio do amônio (NH₄⁺) para amônia (NH₃), que é gás. E gás vai embora.
Três condições que agravam:
- Aplicação em superfície, sem incorporação e sem chuva na sequência
- Muita palhada, porque é onde a urease é abundante e o grânulo não toca o solo
- Calor e vento
É o cenário exato do plantio direto no Cerrado. Detalhes em volatilização de nitrogênio.
O que o inibidor de urease faz
A ureia protegida mais comum é tratada com NBPT, um inibidor que retarda a ação da urease por alguns dias.
Repare no verbo: retarda, não impede. O que o NBPT compra é tempo. A ideia é atravessar a janela seca até que uma chuva ou uma irrigação leve a ureia para dentro do solo, onde a amônia formada fica retida no complexo de troca em vez de escapar.
O inibidor não elimina a perda. Ele adia a hidrólise na esperança de que a água chegue antes. Se a chuva não vier, a perda acontece de qualquer forma, só mais tarde.
Quando o NBPT se paga
Vale a pena quando:
- Aplicação em superfície sobre palhada, sem incorporar
- Sem previsão confiável de chuva nos dias seguintes
- Dose alta de N, em que a perda percentual vira muito quilo
- Área grande, em que voltar para reaplicar é caro
Não compensa quando:
- Você consegue incorporar a ureia, mesmo que superficialmente
- Vai aplicar com chuva prevista ou com irrigação logo depois
- A dose é pequena
- Você já vai usar outra fonte que não volatiliza
Incorporar resolve o problema de graça. O inibidor é a solução para quando incorporar não é viável.
As alternativas de fonte
Sulfato de amônio
Praticamente não volatiliza em solo com pH normal, e entrega 24% de enxofre. Em contrapartida, tem menos da metade do N da ureia, o que dobra o volume movimentado, e acidifica o solo ao longo do tempo, consumindo parte da calagem.
Comparação detalhada em sulfato de amônio contra ureia no Cerrado.
Nitrato de amônio
Metade do N já vem na forma de nitrato, imediatamente disponível, e não volatiliza. O revés é que nitrato lixivia com facilidade, principalmente em solo arenoso e chuva forte. Além disso, o produto tem controle de comercialização por questões de segurança, o que restringe o acesso.
A conta na hora de decidir
Compare por custo por kg de N, e depois some o que a fonte entrega ou custa a mais:
Custo por kg de N = preço da tonelada ÷ (teor de N em % × 10)
No sulfato de amônio, desconte o valor do enxofre. Na ureia sem incorporação, considere que uma parte do N não vai chegar à planta. Na ureia protegida, some o custo do tratamento e compare com a perda evitada.
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