Açúcar cristal na inoculação: dose, mistura e o que evitar
Colocar açúcar na calda do inoculante parece receita de quintal. É recomendação técnica, com dose definida, e faz parte dos fatores identificados pela pesquisa como responsáveis por aumentar o índice de sucesso da inoculação.
A dose
Para inoculação sem uso de defensivos: dissolver de 100 g a 150 g de açúcar cristal, o equivalente a cinco a sete colheres de sopa, em 1 litro de água.
O açúcar pode ser substituído por goma arábica a 20% ou por celulose substituída a 5%.
Quando há tratamento de sementes com defensivo, a solução açucarada entra na concentração de 10% a 15%, e é nela que se prepara a calda do defensivo.
As duas funções
O uso do açúcar é fundamental para aumentar a aderência do inoculante às sementes. Sem aderente, o pó de turfa não gruda: ele se solta no transporte, fica no fundo da caixa e não chega ao sulco.
Há uma segunda função, menos conhecida e muito útil: além de proporcionar melhor aderência, o uso da sacarose permite aumento no período de armazenamento das sementes de soja inoculadas, dando maior flexibilidade ao agricultor na hora do plantio.
O açúcar não é para a bactéria comer. É para o inoculante ficar onde você o colocou.
Como misturar
- Dissolver o açúcar na água.
- Adicionar a solução açucarada ao inoculante nas dosagens recomendadas, até formar uma pasta homogênea. Misturar no tambor rotativo, dando várias voltas na manivela.
- Outra opção: umedecer as sementes com a solução açucarada, sem que sobre solução no fundo do vasilhame, e então adicionar o inoculante.
- Espalhar as sementes inoculadas em camadas de 10 cm a 30 cm sobre uma superfície seca, à sombra. Deixar secar e guardar em ambiente arejado e à sombra até a semeadura.
- Semear em no máximo 48 horas. Se não for possível, repetir a inoculação no dia do plantio.
Com tratamento de sementes o prazo é mais curto, 24 horas, porque o defensivo é tóxico ao rizóbio e o contato deve durar o mínimo possível.
Como saber se ficou bom
O processo é considerado bom quando todas as sementes estiverem cobertas por uma camada uniforme de inoculante.
Se houver sementes com camadas espessas e outras sem inoculante nenhum, o diagnóstico é falta de líquido: é preciso aumentar a solução açucarada.
O que não fazer
A inoculação diretamente na caixa da semeadeira não é aconselhável, pois resulta em pouca aderência e cobertura desuniforme das sementes.
É a forma mais prática e a que mais desperdiça produto. Sem aderente e sem mistura, boa parte do inoculante se separa da semente e se acumula no fundo do depósito.
O limite da dose
Vale saber por que a dose recomendada é 500 g por 50 kg de sementes e não mais. Os inoculantes comerciais permitem aderência de no máximo 500 g a 600 g por 50 kg, justamente usando solução açucarada como aderente. Doses superiores resultam em acúmulo no fundo da semeadeira, dificultando o plantio.
Ou seja, o aderente define o teto prático da inoculação. Sem ele, o teto é bem mais baixo.
E o calor
Dois cuidados fecham a operação: fazer a inoculação à sombra, nas horas mais frescas, pela manhã ou à noite; e, durante o plantio, se o depósito de sementes da semeadeira aquecer muito, interromper e resfriar a caixa, porque o calor mata as bactérias.
Os demais cuidados da operação estão em inoculação de soja. E a conta que define quantas sementes vão por metro, em como calcular sementes por metro. Em escala, o equipamento muda a ordem: veja máquina de tratamento de semente.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 101 e 111-114.
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