Argissolos: o degrau de argila que decide sua erosão
Se você cavar uma trincheira num Argissolo e passar a mão descendo pela parede, vai sentir a mudança. Em cima, mais arenoso. Meio metro abaixo, nitidamente mais argiloso. Esse degrau não é detalhe de laboratório: é a característica que define a ordem e que manda no comportamento da área.
O que define um Argissolo
O critério é a presença de um horizonte B textural, o Bt: uma camada em profundidade que acumulou argila vinda de cima, num processo lento de lavagem chamado eluviação. O resultado é o gradiente textural, ou seja, um aumento marcante de argila da superfície para a subsuperfície.
Características
- Aumento nítido do teor de argila em profundidade
- Horizonte superficial normalmente mais arenoso e mais claro
- Argila de atividade baixa, na maioria dos casos
- Fertilidade natural variável: existem Argissolos distróficos e eutróficos
- Profundidade geralmente boa, mas com a barreira do Bt no meio
Onde aparecem
É uma das ordens mais espalhadas do país, presente em praticamente todas as regiões e muito associada a relevo ondulado. Boa parte da agricultura brasileira acontece em cima de Argissolo.
O que o degrau faz na prática
Aqui está o ponto que importa. A chuva cai, infiltra rápido na camada arenosa de cima e encontra o Bt, que é mais argiloso e infiltra devagar. A água não some: ela corre por dentro, na interface entre as duas camadas, e depois sai lateralmente.
Isso produz três consequências:
- Erosão. Argissolo em relevo ondulado é candidato natural a sulco e voçoroca. O escoamento subsuperficial descalça a camada de cima. Terraceamento, plantio em nível e cobertura permanente deixam de ser recomendação genérica e viram necessidade.
- Encharcamento temporário. Em chuva forte, a camada superficial pode saturar mesmo com o perfil todo não estando cheio.
- Raiz concentrada em cima. A camada arenosa segura pouca água. Se a raiz não atravessa o Bt, a planta vive do que a superfície guarda, e veranico vira problema sério.
O que isso muda na adubação
Como a camada de cima costuma ser mais arenosa, ela tem CTC mais baixa e segura menos nutriente. Duas consequências diretas: o nitrogênio pede mais parcelamento, e o potássio também merece atenção, porque lixivia com facilidade em textura leve.
E como a textura muda com a profundidade, a profundidade de amostragem deixa de ser detalhe. Amostrar 0 a 20 cm num ano e 0 a 30 cm no outro, num Argissolo, produz laudos que parecem contar histórias diferentes sobre a mesma área. Não é o solo que mudou, é a régua.
Num solo com gradiente textural, comparar safras só faz sentido se a profundidade de amostragem for sempre a mesma.
Resumindo
Argissolo pede duas coisas com mais insistência que a média: controle de erosão, por causa do degrau, e disciplina na amostragem, pela mesma razão.
Descubra a classe textural de cada camada do seu perfil com o classificador de textura, e veja como o teor de argila entra na conta em adubação NPK. Vale também ler sobre como parar a perda de solo por erosão.
Aplica esse conhecimento no seu próprio laudo
Cola seu laudo no SoloLab e recebe calagem, gessagem e adubação NPK calculadas pra sua cultura, com a memória de cálculo aberta. Grátis, sem limite de laudos.
Calcular meu laudo agoraOu vá direto pra Classificador de textura do solo.