Manejo

Azospirillum em gramíneas: o que a bactéria faz e o que ela não substitui

Em soja, a inoculação com Bradyrhizobium substitui a adubação nitrogenada por completo. É natural esperar que em milho aconteça algo parecido com Azospirillum. Não acontece, e entender por quê evita frustração.

A diferença fundamental

Na soja há simbiose com nódulo: a bactéria se aloja numa estrutura que a planta constrói para ela, recebe carbono e devolve nitrogênio fixado, em quantidade que atende a cultura.

Com Azospirillum em gramíneas a associação é de vida livre na rizosfera, sem nódulo. A bactéria vive ao redor e na superfície da raiz, e a relação é bem menos íntima.

Sem nódulo, sem a troca dedicada. Por isso a contribuição é parcial, e não substitutiva.

O que ela faz

Os efeitos descritos na literatura combinam dois mecanismos:

  1. Alguma fixação de nitrogênio, em escala bem menor que a simbiose da soja.
  2. Produção de compostos promotores de crescimento radicular. Este costuma ser o efeito mais relevante: mais raiz e mais pelos radiculares significam mais superfície de absorção, e a planta aproveita melhor o nitrogênio e a água que já estão no solo.

Ou seja: boa parte do ganho não vem de nitrogênio novo, e sim de melhor aproveitamento do que existe.

O que isso significa na prática

Os cuidados de inoculação

São os mesmos que valem para qualquer inoculante, e são o que mais separa resultado de decepção:

  1. Produto vivo: conservar em local fresco, respeitar a validade
  2. Sem sol e sem calor durante o tratamento das sementes
  3. Compatibilidade com o tratamento químico de sementes, conferida antes
  4. Semear no mesmo dia, sempre que possível
  5. Dose e forma conforme a bula: via semente, via sulco ou foliar mudam o resultado

Coinoculação é outra conversa

Em soja existe a prática de coinocular Bradyrhizobium com Azospirillum, buscando somar a fixação simbiótica ao estímulo radicular. É um caso distinto do uso em gramíneas, tratado em coinoculação: quanto se ganha.

O contexto

Sobre o mecanismo geral, veja fixação biológica de nitrogênio. E lembre que a dose de N das gramíneas continua saindo da tabela, com o parcelamento definido pela argila do solo: calculadora de adubação NPK.

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