Azospirillum em gramíneas: o que a bactéria faz e o que ela não substitui
Em soja, a inoculação com Bradyrhizobium substitui a adubação nitrogenada por completo. É natural esperar que em milho aconteça algo parecido com Azospirillum. Não acontece, e entender por quê evita frustração.
A diferença fundamental
Na soja há simbiose com nódulo: a bactéria se aloja numa estrutura que a planta constrói para ela, recebe carbono e devolve nitrogênio fixado, em quantidade que atende a cultura.
Com Azospirillum em gramíneas a associação é de vida livre na rizosfera, sem nódulo. A bactéria vive ao redor e na superfície da raiz, e a relação é bem menos íntima.
Sem nódulo, sem a troca dedicada. Por isso a contribuição é parcial, e não substitutiva.
O que ela faz
Os efeitos descritos na literatura combinam dois mecanismos:
- Alguma fixação de nitrogênio, em escala bem menor que a simbiose da soja.
- Produção de compostos promotores de crescimento radicular. Este costuma ser o efeito mais relevante: mais raiz e mais pelos radiculares significam mais superfície de absorção, e a planta aproveita melhor o nitrogênio e a água que já estão no solo.
Ou seja: boa parte do ganho não vem de nitrogênio novo, e sim de melhor aproveitamento do que existe.
O que isso significa na prática
- Não zere o nitrogênio. A recomendação de N para milho, trigo, sorgo e milheto continua valendo. Onde há dado de resposta consistente, fala-se em complementar, não em substituir.
- O ganho é maior quando há o que melhorar. Raiz que já explora bem o solo tem menos a ganhar com estímulo radicular.
- A resposta varia. Solo, cultivar, época e qualidade da inoculação mudam o resultado entre safras.
Os cuidados de inoculação
São os mesmos que valem para qualquer inoculante, e são o que mais separa resultado de decepção:
- Produto vivo: conservar em local fresco, respeitar a validade
- Sem sol e sem calor durante o tratamento das sementes
- Compatibilidade com o tratamento químico de sementes, conferida antes
- Semear no mesmo dia, sempre que possível
- Dose e forma conforme a bula: via semente, via sulco ou foliar mudam o resultado
Coinoculação é outra conversa
Em soja existe a prática de coinocular Bradyrhizobium com Azospirillum, buscando somar a fixação simbiótica ao estímulo radicular. É um caso distinto do uso em gramíneas, tratado em coinoculação: quanto se ganha.
O contexto
Sobre o mecanismo geral, veja fixação biológica de nitrogênio. E lembre que a dose de N das gramíneas continua saindo da tabela, com o parcelamento definido pela argila do solo: calculadora de adubação NPK.
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