Prática

Fertirrigação: o que muda quando o adubo vai pela água

Fertirrigação costuma ser apresentada como um jeito diferente de aplicar adubo. É mais que isso: ela muda o ritmo da nutrição, e com ele a lógica de quando cada nutriente entra.

O que não muda é o ponto de partida: a necessidade total continua saindo da análise de solo, da cultura e da expectativa de rendimento.

A vantagem real: parcelamento fino

Na adubação convencional, o parcelamento é limitado pelo número de vezes que você entra na área com máquina. Duas, três, talvez quatro aplicações.

Na fertirrigação, o parcelamento pode ser semanal ou até por irrigação. Isso permite acompanhar a curva de absorção da cultura: pouco no início, muito no pico de demanda, reduzindo na maturação.

Onde isso mais rende:

O que não se resolve pela água

Aqui está o limite que costuma ser subestimado.

Fósforo

O fósforo é pouco móvel no solo. Aplicado via água, ele reage e fica retido perto do ponto de aplicação, sem se distribuir pelo perfil. Além disso, fosfato em solução tende a precipitar com cálcio e magnésio da água, entupindo gotejador.

Por isso, a construção de fertilidade de fósforo continua sendo feita via solo, antes ou no plantio. Ver fixação de fósforo no Cerrado.

Calagem e gessagem

Não existe corrigir acidez pela água. Calcário é praticamente insolúvel, e a correção depende de contato físico com o solo. Calagem e gessagem seguem sendo operações à parte.

A fonte precisa ser solúvel

Nem todo fertilizante serve. O produto tem que dissolver completamente e não pode reagir na linha.

Compatibilidade: o erro que entope o sistema

Misturar fontes incompatíveis no tanque forma precipitado, que entope emissor e filtro. A combinação clássica a evitar é cálcio com fosfato ou sulfato, que precipita.

Duas regras que evitam a maior parte dos problemas:

  1. Testar a mistura num balde, com a água que você usa, antes de mandar para o tanque. Se turvar ou formar depósito, não vai.
  2. Separar as aplicações de produtos incompatíveis em momentos diferentes, em vez de tentar combiná-los.

A qualidade da água entra na conta

A água de irrigação não é neutra: ela carrega sais, tem pH próprio e pode conter cálcio e magnésio em quantidade relevante. Isso afeta a compatibilidade, o risco de entupimento e o balanço de sais no solo.

Análise da água de irrigação é tão parte do planejamento quanto a análise de solo. Ver salinidade do solo sob irrigação.

Os cuidados operacionais

Por onde começar

Primeiro a dose total, que sai do laudo. Depois o parcelamento, que sai da curva de absorção da cultura. Por último a fonte, que sai da solubilidade e da compatibilidade.

Comece pelo primeiro passo em calculadora de adubação NPK, e veja a lógica de água em manejo de irrigação.

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