Macronutrientes e micronutrientes: quem faz o quê na planta
Todo mundo decora a lista, mas a lista sozinha não ajuda em campo. O que resolve é saber o que cada nutriente faz na planta, se ele se move dentro dela e, portanto, onde o sintoma vai aparecer primeiro. Isso muda o diagnóstico visual e muda a prioridade da adubação.
O que torna um elemento essencial
Um elemento é considerado essencial quando a planta não completa o ciclo sem ele, quando a função dele não pode ser substituída por outro elemento e quando ele atua diretamente no metabolismo. São os critérios de essencialidade propostos por Arnon e Stout.
Por esse critério, além de carbono, hidrogênio e oxigênio, que vêm do ar e da água, restam catorze nutrientes minerais, e é o solo que precisa fornecê-los.
A divisão é por quantidade, não por importância
Macronutriente é o que a planta absorve em quantidade maior. Micronutriente é o que ela absorve em quantidade pequena. Isso não faz do micro um coadjuvante: sem molibdênio a soja não fixa nitrogênio, por mais nitrogênio que exista ao redor.
- Macronutrientes primários: nitrogênio, fósforo e potássio.
- Macronutrientes secundários: cálcio, magnésio e enxofre.
- Micronutrientes: boro, cloro, cobre, ferro, manganês, molibdênio, níquel e zinco.
Quem faz o quê
| Nutriente | Função principal na planta |
|---|---|
| Nitrogênio | Compõe aminoácidos, proteínas, clorofila e ácidos nucleicos |
| Fósforo | Transferência de energia (ATP), membranas e material genético |
| Potássio | Ativa enzimas, regula abertura estomática e transporte de açúcares |
| Cálcio | Estrutura da parede celular, integridade de membrana, crescimento do ápice radicular |
| Magnésio | Átomo central da clorofila e ativador de enzimas ligadas ao ATP |
| Enxofre | Aminoácidos cisteína e metionina, proteínas e coenzimas |
| Boro | Parede celular, crescimento do tubo polínico, transporte de açúcares |
| Zinco | Ativador enzimático e precursor de auxina, ligado ao crescimento |
| Manganês | Fotólise da água na fotossíntese e ativação enzimática |
| Ferro | Síntese de clorofila, respiração e transporte de elétrons |
| Cobre | Enzimas de oxidação, transporte de elétrons e lignificação |
| Molibdênio | Nitrato redutase e nitrogenase, portanto essencial à fixação biológica |
| Níquel | Componente da urease, ligado ao metabolismo da ureia |
| Cloro | Fotólise da água e regulação osmótica |
Mobilidade: onde o sintoma aparece
Este é o atalho de diagnóstico mais útil que existe. Nutriente móvel no floema é retirado da folha velha e enviado para a folha nova quando falta. Nutriente imóvel fica onde chegou.
- Sintoma na folha velha, de baixo para cima: nitrogênio, fósforo, potássio, magnésio. São móveis.
- Sintoma na folha nova, no ponteiro: cálcio, boro, ferro, manganês, zinco, cobre. São pouco móveis ou imóveis.
Por isso deficiência de boro aparece como morte de ponteiro e má formação de vagem, enquanto deficiência de nitrogênio amarelece a folha de baixo primeiro. O sintoma visual, porém, é confirmação tardia: quando ele aparece, a produtividade já foi comprometida. Ele serve para investigar, não para planejar.
O recorte do Cerrado
Em solo de Cerrado, o gargalo de micronutrientes é bastante consistente:
- Zinco e boro são os que mais limitam. Boro é aniônico, lixivia em solo arenoso e depende bastante da matéria orgânica. Zinco fica menos disponível conforme o pH sobe.
- Molibdênio se comporta ao contrário dos demais micros: a disponibilidade aumenta com a elevação do pH. Uma calagem bem feita já melhora o suprimento, o que é decisivo na soja, porque a enzima nitrogenase das bactérias do gênero Bradyrhizobium depende dele.
- Ferro e manganês raramente faltam nesses solos. O risco costuma ser o oposto, toxicidade de manganês em pH muito baixo.
Daí vem o alerta prático: calagem além do necessário pode induzir deficiência de zinco, boro e manganês. Corrigir acidez é a base de tudo, mas corrigir demais cria um problema novo.
As faixas de interpretação para cada nutriente variam com o método de extração do laboratório, com a cultura e com a região. Use sempre a tabela do boletim de recomendação da sua região, e não um número solto de internet. Para o passo a passo de leitura, veja como interpretar o laudo.
A ordem que funciona
Não adianta corrigir micronutriente antes de resolver o básico. A sequência lógica é: acidez e cálcio primeiro, depois fósforo e potássio, depois enxofre, e só então micronutrientes. E fique atento ao equilíbrio entre cátions, porque excesso de um atrapalha a absorção do outro, assunto tratado em relação entre cálcio, magnésio e potássio. Detalhes de boro, zinco e manganês estão em micronutrientes no Cerrado.
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