Calagem

Métodos de calagem: por que a dose muda de um para outro

Você joga o mesmo laudo em duas calculadoras e recebe 2,1 t/ha em uma e 3,4 t/ha na outra. Nenhuma das duas está com defeito. Elas estão usando métodos diferentes, e cada método tem um solo em que erra.

Método 1: saturação por bases

É o mais usado no Cerrado e o que o SoloLab adota como padrão.

N.C. (t/ha) = [(V₂ − V₁) ÷ 100] × T × f

Onde T é a CTC a pH 7, V₁ é a saturação por bases atual, V₂ é a desejada para a cultura, e f = 100 ÷ PRNT.

A lógica é elevar a saturação por bases até o alvo da cultura. No Cerrado esse alvo costuma ser 50% no sequeiro e 60% no irrigado para a maioria das anuais, com exceções: mandioca vai a 30%, e algodão e cana ficam em 50% mesmo sob irrigação.

Método 2: neutralização do alumínio

Para solos com CTC acima de 4,0 cmolc/dm³, argila acima de 15% e Ca + Mg acima de 2,0 cmolc/dm³, o livro traz:

N.C. (t/ha) = (2 × Al) × f

Aqui o alvo não é um V% e sim tirar o alumínio de circulação. É uma conta mais curta, que não precisa da CTC nem do V% desejado.

Método 3: solo arenoso pede as duas contas

Em Areias Quartzosas, com argila abaixo de 15%, o livro manda calcular as duas fórmulas e usar o maior valor:

N.C. (t/ha) = (2 × Al) × f
N.C. (t/ha) = [2 − (Ca + Mg)] × f

A segunda existe porque em solo arenoso o problema muitas vezes não é excesso de alumínio, e sim falta de cálcio e magnésio. Um solo pode ter alumínio baixo e ainda assim não ter base nenhuma para a raiz. Calcular só pelo Al deixaria a lavoura sem Ca e Mg.

Onde cada método erra

Esta é a parte que quase ninguém conta, e o livro conta:

O método baseado em Al, Ca e Mg eleva a saturação por bases para valores médios de 49%. Com base nesse critério, há tendência de:

E o livro completa: essa limitação é minimizada porque a maioria dos solos do Cerrado tem CTC entre 4,0 e 12,0 cmolc/dm³. Ou seja, na faixa normal do Cerrado os métodos convergem. É nas pontas que eles brigam.

E os métodos de outras regiões?

Existem referências regionais próprias, como as do IAC para São Paulo e as da CFSEMG para Minas Gerais. Elas também trabalham com saturação por bases, mas adotam alvos de V% próprios por cultura e critérios próprios de profundidade.

Por isso, a mesma fórmula com o mesmo laudo dá doses diferentes conforme a referência. Não é contradição: é recomendação calibrada para outro conjunto de solos e outro regime de chuva. Use a referência da sua região, e saiba qual delas a ferramenta está usando.

Os três parâmetros que mudam tudo

Antes de achar que a calculadora errou, confira se estes três estão iguais nas duas contas:

ParâmetroEfeito na dose
V% alvo da culturaDireto. De 50% para 60% a dose sobe muito
PRNT do calcárioDivide a dose. PRNT 70 pede 1,43× o de PRNT 100
Profundidade consideradaDobrar a camada dobra a dose
Duas doses diferentes quase nunca são erro de conta. São premissas diferentes que ninguém mostrou na tela.

O SoloLab mostra qual método usou, com fórmula, valores substituídos e a página da fonte. Veja na calculadora de calagem.

Fonte: Sousa, D.M.G. de; Lobato, E. Cerrado: correção do solo e adubação. 2ª ed. Planaltina: Embrapa Cerrados.

Aplica esse conhecimento no seu próprio laudo

Cola seu laudo no SoloLab e recebe calagem, gessagem e adubação NPK calculadas pra sua cultura, com a memória de cálculo aberta. Grátis, sem limite de laudos.

Calcular meu laudo agora

Ou vá direto pra Calculadora de calagem.