Prática

Recuperação de pastagem degradada: por onde começar

Pasto degradado é a regra, não a exceção, em boa parte do Cerrado. Solo que já foi produtivo vira capim ralo, cupinzeiro e solo exposto. A boa notícia é que quase sempre dá para recuperar. A má notícia é que sair aplicando adubo sem diagnóstico costuma repetir o erro que degradou o pasto. Recuperação começa por entender a causa.

Primeiro, descubra por que degradou

Degradação tem causas diferentes, e cada uma pede uma resposta:

Tratar só o sintoma, jogando adubo num pasto compactado ou superlotado, é gastar sem resolver. O diagnóstico vem antes.

Analise o solo

A base de tudo é a análise de solo, que mostra acidez, saturação por bases, fósforo, potássio e matéria orgânica. Sem ela, a recuperação é chute. Como ler esse laudo está em como interpretar o laudo de análise de solo. Se houver suspeita de limitação em profundidade, vale amostrar também a camada mais funda, não só a superfície.

Vale olhar também o histórico da área: quantos anos sem correção, qual a lotação praticada, se já houve reforma antes. Esse histórico ajuda a separar um pasto que só precisa de manutenção de um que pede reforma completa, e evita repetir o manejo que degradou. Um mesmo capim ralo pode ter chegado ali por falta de nutriente ou por excesso de animal, e a resposta certa muda conforme a causa.

Corrija a acidez

Pasto degradado quase sempre tem saturação por bases baixa e acidez alta. A calagem corrige isso: eleva o pH e o V%, neutraliza o alumínio e devolve à forrageira a condição de responder à adubação. Fazer calagem antes de adubar é o que garante que o adubo seguinte seja aproveitado, e é assim que Sousa & Lobato (2004), da Embrapa Cerrados, ordenam as etapas de recuperação. Entenda o corretivo em o que é calagem. Quando a análise indica cálcio baixo ou alumínio alto no subsolo, a gessagem entra como complemento, levando cálcio e enxofre para a profundidade e ajudando a raiz a descer.

Reponha fósforo e potássio, e não esqueça o nitrogênio

Corrigida a acidez, entra a adubação. Fósforo e potássio conforme o laudo, para reconstruir o que o pastejo levou. E o nitrogênio, que é o motor de produção de massa das gramíneas forrageiras: sem N, capim de Cerrado não expressa potencial. A recomendação de adubação de pastagem para a região está sistematizada em Sousa & Lobato (2004). As particularidades da adubação de pasto no Cerrado, com as braquiárias, estão em adubação de pastagem no Cerrado.

Reformar ou recuperar?

Nem sempre dá para recuperar a forrageira existente. Se a planta está muito degenerada, ou se a espécie não combina com o solo, pode ser hora de reformar, com nova semeadura de uma forrageira adaptada, como Urochloa brizantha ou Urochloa decumbens, a antiga braquiária. A escolha entre recuperar o que existe e reformar do zero depende do estado da forrageira e do custo de cada caminho.

A ordem que evita repetir o erro

  1. Diagnosticar a causa da degradação, química e física.
  2. Analisar o solo, superfície e, se preciso, profundidade.
  3. Corrigir a acidez com calagem, e gesso se o subsolo pedir.
  4. Repor fósforo e potássio e ajustar o nitrogênio.
  5. Ajustar o manejo do pastejo, para não degradar de novo.
Recuperar pasto não é jogar adubo em capim ralo. É descobrir por que degradou, corrigir o solo e só então adubar. Sem a causa resolvida, a degradação volta.

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