Lavoura de milho em Latossolo argiloso do Cerrado
Fósforo

Até onde a lavoura responde ao P: 300 kg/ha contra 100 kg/ha

Toda adubação tem um ponto a partir do qual cada quilo a mais entrega menos que o anterior. Saber onde esse ponto fica é o que separa investir de gastar, e no caso do fósforo no Cerrado ele depende principalmente de qual espécie está no campo.

As duas faixas

Em Latossolos argilosos, com fosfatos solúveis em água aplicados a lanço e incorporados, em condições favoráveis de suprimento dos demais nutrientes:

Grupo de espéciesFaixa dos maiores incrementos
Milho, trigo e sojaaté 300 kg/ha de P₂O₅
Brachiaria decumbens, Andropogon gayanus, Stylosanthes guianensis e mandiocaaté 100 kg/ha de P₂O₅

É uma diferença de três vezes entre os dois grupos, e ela evidencia o comportamento distinto entre as espécies.

O ponto de partida também importa

Antes de olhar o topo da curva, vale olhar a base dela. Quando não se adiciona fósforo nesses solos, as produções são muito pequenas. Não é uma perda percentual: é a diferença entre ter lavoura e não ter.

Essa característica, somada à alta capacidade que esses solos têm de reter o fósforo na fase sólida, é apontada como a principal limitação para o desenvolvimento de qualquer atividade agrícola rentável no Cerrado sem aplicação de adubo fosfatado.

Onde está a economia real

A leitura mais útil desses números não é o teto, é o piso. Se você vai formar pasto de braquiária, aplicar 250 kg/ha de P₂O₅ porque é o que se usa em soja é gastar bem além da faixa em que a espécie responde. E o inverso também vale: economizar em soja aplicando a dose que basta para o pasto entrega uma lavoura muito abaixo do potencial.

Isso se conecta diretamente com a definição da adubação corretiva. Para definir o nível de fertilidade a ser alcançado, leva-se em conta o grau de exigência das culturas que se pretende cultivar na gleba. Uma rotação com soja, milho, feijão e trigo exige nível mais elevado do que um sistema em que se pretende implantar pastagem semeada com arroz de sequeiro, e o investimento no primeiro caso será maior.

A dose de fósforo não é uma propriedade do solo. É uma decisão sobre o que você vai plantar nele nos próximos anos.

O que muda a curva

A resposta à adubação fosfatada depende, entre outros fatores, da disponibilidade de P no solo, da disponibilidade dos outros nutrientes, da espécie e variedade cultivada e das condições climáticas.

Esse ponto sobre os outros nutrientes é o que mais derruba resposta na prática. As curvas foram levantadas em condições favoráveis de suprimento de tudo o mais. Se o solo está ácido, com alumínio tóxico podando a raiz, a curva de resposta ao fósforo que você vai obter na sua área é bem mais achatada do que a do experimento. O fator mais escasso limita, e adicionar fósforo não move o resultado enquanto ele não for o limitante.

Do outro lado da curva

Aplicar acima da faixa não é apenas gasto sem retorno. Com o teor de P classificado como alto, a dose corretiva é zero e sobra apenas a reposição. Continuar aplicando dose de construção em solo já construído é acumular fósforo que fica adsorvido e indisponível. E com teor alto, havendo limitação financeira, é possível deixar de adubar com fósforo por algum tempo sem comprometer o potencial produtivo.

Como localizar sua área na curva

Três informações resolvem: o teor de P do laudo, o teor de argila, e qual sistema vai ocupar a gleba. Com os dois primeiros você acha a classe de disponibilidade; com o terceiro você sabe qual faixa de resposta se aplica. A partir daí, corretiva se o teor estiver abaixo do adequado, manutenção se estiver acima.

O princípio que explica o platô está em a lei do mínimo. Para os outros fatores que achatam a resposta, veja por que não basta jogar adubo. E a razão de a produção ser tão baixa sem fósforo, em fixação de fósforo no Cerrado. O que esperar de produtividade com o teor no ponto está em P adequado no laudo.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 6, p. 148-149 e 157.

Aplica esse conhecimento no seu próprio laudo

Cola seu laudo no SoloLab e recebe calagem, gessagem e adubação NPK calculadas pra sua cultura, com a memória de cálculo aberta. Grátis, sem limite de laudos.

Calcular meu laudo agora

Ou vá direto pra Calculadora de adubação NPK.