P adequado no laudo: 3 t/ha de soja e 7 t/ha de milho
Corrigir o fósforo é um investimento grande, e é razoável querer saber o que se compra com ele. O livro responde essa pergunta de forma incomum para um texto técnico: com números de produtividade esperada.
O que esperar com P na faixa adequada
Independentemente do procedimento usado para interpretar o resultado da análise, quando o teor de fósforo estiver na faixa adequada, as expectativas de rendimento são:
| Cultura | Sequeiro | Irrigado |
|---|---|---|
| Soja | no mínimo 3 t/ha | 4 t/ha |
| Feijão | no mínimo 2,5 t/ha | 4 t/ha |
| Milho | no mínimo 7 t/ha | 10 t/ha |
| Trigo | 5 t/ha |
Convertendo para a unidade da conversa de campo: 3 t/ha de soja são 50 sacas por hectare, e 7 t/ha de milho são cerca de 117 sacas.
As quatro condições
Os números vêm com uma cláusula que não é rodapé. Essas produtividades, nos dois sistemas, estão condicionadas a:
- Aplicação de calcário. Sem a acidez corrigida, o fósforo aplicado fica retido pelos óxidos de ferro e alumínio e a raiz fica podada pelo alumínio tóxico.
- Adubação de manutenção adequada com fósforo. O teor adequado precisa ser sustentado; sem reposição ele cai com a exportação.
- Adubação adequada com os outros nutrientes. Fósforo em ordem com potássio ou nitrogênio em falta não entrega a produtividade da tabela.
- Ausência de outros fatores limitantes, sejam climáticos, fitossanitários ou de plantas invasoras.
É a lei do mínimo escrita como cláusula contratual. Se a sua lavoura tem o P adequado e não chega nesses patamares, o gargalo está em uma dessas quatro linhas, e continuar aplicando fósforo não vai resolvê-lo.
P adequado não é promessa de produtividade. É a remoção de um limitante específico, com os outros ficando por sua conta.
Por que "adequado" não é "máximo"
A classe adequada, no sequeiro, corresponde a um teor de solo que entrega de 81% a 90% do rendimento potencial sem aplicação de fósforo naquele ano. No irrigado, a mesma classe corresponde a 91% a 100%.
Isso explica por que a expectativa vem escrita como "no mínimo" no sequeiro. O adequado é a faixa em que a resposta econômica ao fósforo já ficou pequena, não a faixa em que a planta não responderia mais a nada.
Como usar isso na sua conta
Esses valores servem para duas decisões concretas:
- Avaliar se a correção vale. Compare a produtividade que você tira hoje, com o solo na classe atual, com a esperada na classe adequada. A diferença, multiplicada pelo preço da saca e pelos anos de efeito residual, é o retorno do investimento em corretiva.
- Diagnosticar quando não chega. Se o laudo diz adequado e a lavoura entrega 40 sacas de soja, o problema não é fósforo. Vale olhar compactação, camada subsuperficial, nematoide, distribuição de chuva e qualidade da operação antes de comprar mais adubo.
E a dose de manutenção que sustenta isso
Para completar a conta, a manutenção que acompanha essas expectativas: com P adequado no sequeiro, 60 kg/ha de P₂O₅ são suficientes para produzir 3 t/ha de soja, e 90 kg/ha atendem à expectativa de 9 t/ha de milho. Para produtividades maiores, a manutenção deve ser aumentada proporcionalmente.
Quando o número não bate, o gargalo costuma estar em outro lugar: veja a lei do mínimo, duas áreas com o mesmo adubo e resultados diferentes e como a compactação trava a raiz. A dose que sustenta esse patamar está em manutenção por produtividade. Até onde a lavoura ainda responde a mais fósforo está em a curva de resposta.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 6, p. 155-156 e 160.
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