Dose de inoculante na soja: quantas células por semente
A dose de inoculante é uma das poucas recomendações agronômicas que mudou de unidade: deixou de ser gramas por saco de semente e passou a ser células por semente. A mudança tem um motivo prático e resolve uma armadilha comum.
Os três patamares
| Referência | Células de rizóbio por semente |
|---|---|
| Mínimo exigido pela legislação | 160 mil |
| Recomendado pela pesquisa | 300 mil |
| Usado nos experimentos da Embrapa Cerrados | 1 a 2 milhões |
A concentração de células no inoculante nesses experimentos variou de 2 a 4 × 10⁸ células por grama, o que corresponde a doses de 500 g a 1.000 g de inoculante por 50 kg de semente.
Por que tanta bactéria
Cem milhões de bactérias em um grama de produto parece exagero, mas abaixo desse número a probabilidade de sucesso é muito pequena. O motivo é a competição.
No solo existem populações de rizóbio nativas ou naturalizadas que disputam os sítios de infecção com as bactérias que você aplicou. Para conseguir competir com a população estabelecida, é necessária uma vantagem numérica de pelo menos mil vezes. E em solos onde já foi cultivada a leguminosa, essas populações chegam a cem mil bactérias por grama de solo.
Inoculação não é semear bactéria em terreno vazio. É colocar tanta bactéria boa que a disputa deixe de ser justa.
O teto da aderência
Se mais é melhor, por que não dobrar sempre? Porque existe um limite físico. Os inoculantes comerciais permitem aderência de no máximo 500 g a 600 g por 50 kg de sementes, usando solução açucarada como aderente.
Doses superiores resultam em acúmulo no fundo da semeadeira, o que dificulta o plantio. O produto que não gruda na semente não vai para o sulco: fica na caixa.
Por isso, a partir da safra de 1997 e 1998, a dose de inoculante turfoso recomendada passou a ser de 500 g por 50 kg de sementes.
Dose por tamanho de semente
A recomendação de 500 g vale para semente grande. Como a conta real é por semente, e não por quilo, o tamanho muda a proporção:
| Tipo de semente | Dose de inoculante |
|---|---|
| Grandes: soja, amendoim, feijão | 500 g para 50 kg |
| Médias: lentilha, leucena | 500 g para 30 kg |
| Pequenas: desmódio | 500 g para 20 kg |
| Ervilha | 400 g para 40 kg |
Essas doses valem independentemente de a área já ter sido inoculada anteriormente ou não.
Quando aumentar
Duas situações pedem dose acima do padrão:
- Presença de fungicida e micronutriente na semente. Como boa nodulação resulta de um grande número de células viáveis, na presença desses produtos deve-se colocar o maior número possível de células, aumentando a dosagem do inoculante.
- Reinoculação em área antiga. Houve resposta significativa com 1 kg por 50 kg de sementes em comparação a 200 g por 50 kg. Com inoculantes de melhor qualidade, doses inferiores a 1 kg garantem o sucesso.
Como conferir na prática
Como o que importa é a célula por semente, e não o peso, a conta muda conforme a concentração do produto. Um inoculante de 4 × 10⁸ células por grama entrega o dobro de um de 2 × 10⁸ na mesma dose.
Procure a concentração no rótulo e o prazo de validade, e confirme que o produto foi conservado em condições adequadas de temperatura e umidade. Célula morta não entra na conta, mesmo estando declarada na embalagem.
Os demais cuidados da operação estão em inoculação de soja. E como o peso de mil sementes muda quantas sementes existem em cada saco, o que altera a conta por semente, em PMS, germinação e pureza. Com produto concentrado a conta muda: a diluição do rótulo. Qual estirpe está dentro do saco também muda o resultado: veja 3,4 sacos entre uma e outra.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 109-111.
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