Rótulo de inoculante mostrando as estirpes registradas
Inoculação

Estirpe do inoculante: 3,4 sacos/ha entre uma e outra

O rótulo do inoculante traz códigos que parecem burocracia: SEMIA 5080, SEMIA 5079, 29w. São as estirpes, e a diferença entre elas já foi medida em sacos por hectare.

As duas gerações

AnoEstirpesEspécie
198029w (SEMIA 5019) e SEMIA 587Bradyrhizobium elkanii
1992CPAC 7 (SEMIA 5080) e CPAC 15 (SEMIA 5079)Bradyrhizobium japonicum

As duas primeiras foram selecionadas em trabalhos da Embrapa Cerrados com a UFRGS e viabilizaram a soja no Cerrado sem adubação nitrogenada. Elas tinham boa eficiência fixadora, alta capacidade competitiva e, decisivo na época, baixa especificidade hospedeira, formando nódulos com a maioria das cultivares recomendadas.

O ganho medido

Com o lançamento de variedades de soja de alta capacidade produtiva, a pesquisa passou a buscar estirpes com maior eficiência fixadora, capazes de elevar o teto de produtividade. O resultado foram as CPAC 7 e CPAC 15, em 1992.

Elas foram mais eficientes que a 29w e a 587 tanto em áreas de primeiro cultivo quanto em áreas antigas com populações estabelecidas, proporcionando, em 18 experimentos, ganhos médios de 3,4 sacos por hectare em relação às anteriores.

É um ganho obtido sem mudar nada além do conteúdo do saco de inoculante: mesma dose, mesma operação, mesmo custo de aplicação.

Trocar de estirpe é a única melhoria de manejo que não exige uma operação a mais na lavoura.

Por que a especificidade importa

A história do começo da soja no Cerrado explica esse ponto melhor que qualquer definição. Entre os fatores do insucesso inicial da inoculação estava o uso de estirpes com problemas de especificidade hospedeira em relação à cultivar mais plantada na época, a IAC-2. A bactéria era boa, a soja era boa, e as duas não se entendiam.

Especificidade hospedeira é a capacidade de uma estirpe formar nódulos com determinadas cultivares. Uma estirpe de baixa especificidade nodula bem com muitas cultivares; uma de alta especificidade funciona com algumas e falha com outras.

O que ver no rótulo

  1. Quais estirpes o produto contém. Elas vêm identificadas pelo código SEMIA.
  2. Número de registro no Mapa. É o que garante que as estirpes são recomendadas pela pesquisa. Comprar produto sem registro é aceitar estirpe não avaliada.
  3. Concentração de células. O mínimo legal é de 10⁸ células viáveis por grama ou mililitro no momento da utilização pelo agricultor.
  4. Prazo de validade. Célula viva tem prazo, e ele não é longo.

Estirpe e competição no solo

Há um efeito que liga estirpe e dose. Em áreas antigas, as estirpes do inoculante disputam os sítios de infecção com as que já estão no solo, e para vencer essa disputa é necessária uma vantagem numérica de pelo menos mil vezes.

Num ensaio de reinoculação com dose elevada, a ocorrência nos nódulos do serogrupo ao qual pertence a CPAC 7 praticamente triplicou em relação à dose baixa. Ou seja, escolher a estirpe melhor só adianta se ela chegar em número suficiente para ocupar os nódulos.

Resumo prático

Estirpe e dose andam juntas. Escolher o inoculante com as estirpes recomendadas e aplicar a dose cheia é o par que entrega o ganho. Qualquer um dos dois sozinho entrega menos.

Os cuidados que fazem a estirpe boa chegar viva ao sulco estão em inoculação de soja. E o processo que ela executa dentro do nódulo, em fixação biológica de nitrogênio. De nada adianta a estirpe boa em número baixo: veja quantas células por semente.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 101-104 e 109.

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