Soja em desenvolvimento em área de Cerrado com adubação fosfatada residual
Fósforo

Efeito residual do fósforo: 60% no ano 1 e 5% no ano 5

Uma das perguntas mais úteis que um produtor pode fazer sobre a safra que vem é o quanto do adubo das safras passadas ainda está trabalhando. No caso do fósforo, existe número para isso, e ele muda a forma de lançar a corretiva no custo.

Os números

De maneira geral, o valor residual de fertilizantes fosfatados solúveis em água, em relação ao efeito imediato no ano da aplicação, é:

Anos após a aplicaçãoValor residual
1 ano60%
2 anos45%
3 anos35%
4 anos15%
5 anos5%

Leia com cuidado: o percentual é em relação ao efeito imediato, não uma fração do produto que sobrou. Um ano depois da aplicação, o fosfatado ainda entrega 60% do efeito que entregou no ano em que foi aplicado.

A consequência contábil

Daí sai a orientação direta do livro: a adubação corretiva de fósforo deve ser considerada como investimento e amortizada no período de cinco anos, nas proporções de 40%, 25%, 20%, 10% e 5% após 1, 2, 3, 4 e 5 anos.

Na prática, uma corretiva de 200 kg/ha de P₂O₅ não é despesa de uma safra. Ela é um investimento cujo custo se distribui assim: 40% no primeiro ano, 25% no segundo, e o restante decrescendo até o quinto. Lançar tudo no primeiro ano faz aquela safra parecer deficitária e as quatro seguintes parecerem melhores do que foram.

Quem trata corretiva como custeio conclui que fósforo não paga. A conta estava errada, não a prática.

Do que o residual depende

Os decréscimos no efeito com o tempo resultam da interação de vários fatores: tipo de solo, fonte, dose e método de aplicação do fertilizante, sistema de preparo do solo e a sequência de cultivos. Os percentuais acima são referência média para fontes solúveis em água, não garantia para qualquer cenário.

Fonte pouco solúvel tem outra curva

Quando a fonte apresenta solubilidade muito baixa, como a dos fosfatos naturais brasileiros, o comportamento se inverte no começo: o desempenho melhora até o terceiro ano após a aplicação, decrescendo a partir daí. A curva sobe antes de cair, porque a rocha precisa se dissolver.

Há uma condição importante nesse dado: ele vale para área cultivada com preparo convencional, com aração e gradagem. Em áreas sem preparo, a dissolução dessas fontes para cultivos anuais é inferior, produzindo 50% menos grãos do que no preparo convencional.

É um detalhe que decide compra. Fosfato natural brasileiro em plantio direto consolidado é meio caminho para não funcionar, e o desconto por tonelada não cobre essa diferença.

Como usar isso na decisão

Três aplicações práticas:

Vale ainda saber que existe uma prática que aumenta a recuperação do fósforo aplicado: a rotação com espécies de alta eficiência em extrair P, como a composição de cultivos anuais com pastagem.

Por que boa parte do fosfatado fica retida no solo está em fixação de fósforo no Cerrado. Para tratar a corretiva como investimento na planilha, veja a estrutura da conta e como o Plano Safra enxerga correção de solo. Quanto repor por safra depois de construído está em manutenção por produtividade.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 6, p. 165-166.

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