Manutenção de fósforo: 60 kg para 3 t de soja, 90 kg para 9 t de milho
Depois que o solo está construído, a conta do fósforo muda de natureza. Não se trata mais de elevar o teor, e sim de repor o que a colheita leva embora, para que o patamar conquistado não escorra. O nome disso é adubação de manutenção, e ela tem número.
Quando ela é indicada
A adubação de manutenção é indicada quando o nível de P do solo está classificado como adequado ou alto. Se o teor está muito baixo, baixo ou médio, a conversa ainda é sobre adubação corretiva, e usar a dose de manutenção nesse cenário mantém a lavoura abaixo do potencial indefinidamente.
As duas referências do livro
A dose de manutenção é apresentada em intervalo, para atender a diferentes potenciais produtivos das culturas nos diferentes sistemas. Duas âncoras concretas são dadas:
| Cultura e sistema | Produtividade | Manutenção |
|---|---|---|
| Soja, sequeiro, P adequado | 3 t/ha de grãos | 60 kg/ha de P₂O₅ |
| Milho | 9 t/ha | 90 kg/ha de P₂O₅ |
E a regra de ajuste: para produtividades maiores, a manutenção deve ser aumentada proporcionalmente.
Como fazer o ajuste
Proporcionalmente significa manter a razão entre dose e produtividade. Nos dois exemplos:
- Soja: 60 ÷ 3 = 20 kg de P₂O₅ por tonelada de grão esperada.
- Milho: 90 ÷ 9 = 10 kg de P₂O₅ por tonelada esperada.
Então, para uma soja de 4,2 t/ha, a manutenção sai em torno de 84 kg/ha de P₂O₅. Para um milho de 11 t/ha, cerca de 110 kg/ha. A conta é simples e resolve o caso mais comum, que é o produtor cuja produtividade não é nenhuma das duas da tabela.
Repare que a soja pede o dobro de fósforo por tonelada de grão em relação ao milho. É diferença de exportação e de concentração no grão, não erro de tabela.
Manutenção que não acompanha a produtividade é reposição parcial. O teor cai devagar, e a queda só aparece no laudo três anos depois.
Use a sua produtividade, não a da tabela
O intervalo existe justamente porque a mesma classe de P sustenta potenciais diferentes conforme o sistema. Uma soja de sequeiro em ano de veranico e uma soja irrigada não exportam a mesma coisa, e não deveriam receber a mesma reposição.
Use a expectativa realista da sua fazenda, baseada no histórico da gleba, e não a média regional nem a do vizinho. Superestimar a expectativa faz você aplicar mais do que a colheita levou; subestimar faz o teor cair safra após safra.
E se o P estiver alto
Há uma folga prevista, e ela é útil em ano de aperto. Com teor alto de fósforo no solo, caso haja limitação financeira, pode-se por algum tempo deixar de adubar com fósforo sem comprometer o potencial produtivo.
É uma decisão temporária, não permanente. O teor vai caindo com a exportação, e o retorno à adubação precisa ser guiado por nova análise, não pela sensação de que a lavoura ainda está indo bem. Vale lembrar que o fosfatado aplicado tem efeito residual decrescente: 60%, 45%, 35%, 15% e 5% do efeito imediato, do primeiro ao quinto ano.
Onde aplicar
Como a dose de manutenção fica tipicamente abaixo de 100 kg/ha de P₂O₅, ela segue a regra das doses menores: aplicação no sulco de semeadura, o que concentra o produto, reduz o contato com os óxidos de ferro e alumínio e ainda aproveita a praticidade da operação conjunta com a semeadura.
Se a sua recomendação veio em P e não em P₂O₅, veja como converter sem errar a conta. E para transformar a dose em produto de verdade, como montar a formulação NPK. E a fase anterior, de construir o teor, está em corretiva ou manutenção.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 6, p. 151, 160-161 e 165.
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