Enxofre elementar: granulometria, tempo e a acidez que sobra
Enxofre elementar é a fonte mais concentrada que existe: teor próximo de 100% de S, contra 12% do superfosfato simples e 24% do sulfato de amônio. Do ponto de vista de frete, é imbatível. O que decide se ele funciona é o que acontece depois que ele cai no solo.
A planta não absorve enxofre elementar
A raiz absorve sulfato. O enxofre elementar precisa ser oxidado por microrganismos do solo antes de se tornar disponível. Isso é um processo biológico, e como todo processo biológico depende de condições: umidade, temperatura, aeração e, principalmente, superfície de contato.
A granulometria é a variável central
A regra geral para uso eficiente do enxofre elementar é:
- 100% da massa com partículas de diâmetro abaixo de 1 mm.
- Pelo menos 50% abaixo de 0,15 mm.
O motivo é que a oxidação acontece na superfície da partícula. Partícula grande tem pouca superfície em relação à massa, e o microrganismo demora muito para consumi-la. Um enxofre elementar grosseiro pode levar anos para se converter, e nesse intervalo a lavoura passa fome com o produto dentro do solo.
Confira a granulometria no rótulo ou na ficha técnica antes de comprar. É o dado que separa dois produtos com o mesmo teor de S e desempenho completamente diferente.
Onde colocar no solo
A forma de aplicação também mexe na velocidade. A aplicação superficial em cobertura não oxida com a mesma rapidez da aplicação na linha ou a lanço incorporada.
Faz sentido: a atividade microbiana está no solo, não em cima dele. Produto na superfície fica sujeito a secagem e tem contato limitado com a microbiota que faria o trabalho.
Enxofre elementar em cobertura, grosseiro, é um insumo comprado e não entregue.
A acidez que ele gera
A oxidação do enxofre elementar produz ácido sulfúrico no solo. São necessários cerca de 100 kg de carbonato de cálcio para neutralizar a acidez gerada por 32 kg de S elementar oxidado.
Em dose pequena, isso é irrelevante. Em aplicação alta e repetida, entra na conta junto com o índice de acidez dos adubos nitrogenados, e ajuda a explicar por que a saturação por bases cai mesmo sem mudança de manejo.
Existe um uso em que essa acidificação é o objetivo, e não o efeito colateral: correção localizada de pH em solo alcalino. Fora dele, é custo.
Comparando com o sulfato
| Enxofre elementar | Fontes de sulfato | |
|---|---|---|
| Teor de S | perto de 100% | 12% no superfosfato simples, 24% no sulfato de amônio, cerca de 15% no gesso agrícola |
| Disponibilidade | Precisa ser oxidado. Depende de granulometria, umidade e temperatura | Imediata. Já está na forma que a planta absorve |
| Efeito no pH | Acidifica | Praticamente neutro |
| Frete | Mínimo, por ser concentrado | Maior, por ser diluído |
Quando ele vale
Duas situações favorecem o elementar: área muito distante da fonte, em que o frete de produto diluído inviabiliza, e planejamento de suprimento por vários anos, em que a liberação lenta deixa de ser problema e vira característica.
Fora disso, o caminho mais previsível costuma ser o sulfato. Formulações contendo superfosfato simples e sulfato de amônio, ou a aplicação deste último na cobertura nitrogenada, são as formas práticas de suprir enxofre. E vale lembrar que o gesso agrícola aplicado nas doses de correção de subsuperfície resolve o enxofre por muitos anos.
Por que o enxofre falta tanto na região está em o macronutriente esquecido do Cerrado. E os teores de cada fonte, para a conta por quilo de nutriente, em guia de fontes de fertilizante. Quanto aplicar, a partir do laudo, está em a conta do enxofre.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 9, p. 231-232.
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