Feijão irrigado por pivô central em área do Cerrado
Inoculação

Feijão irrigado: por que inocular mesmo aplicando 60 kg/ha de N

Quem produz feijão irrigado trabalha para maximizar o teto de produtividade e já aplica nitrogênio em cobertura. Nesse contexto, a inoculação parece redundante. Os dados dizem o contrário, e de um jeito específico.

A inoculação sozinha não fecha

Quando o feijoeiro é cultivado com irrigação, e todo o investimento tecnológico é feito para maximizar o teto de produtividade, o uso da inoculação não garante todo o nitrogênio necessário para que esses tetos sejam atingidos, sendo necessária a suplementação com adubação nitrogenada.

Isso é coerente com o que se sabe da cultura: no feijoeiro, a fixação biológica contribui em média com cerca de 50 kg/ha de nitrogênio, e a demanda de uma lavoura irrigada de alto teto é bem maior que isso.

O resultado que muda a decisão

Aqui está o ponto. Mesmo assim, tanto no processo experimental quanto na fazenda, tem sido observado consistentemente que os níveis de produtividade dos tratamentos inoculados e suplementados com nitrogênio, em doses de até 80 kg/ha de N, são superiores aos níveis dos tratamentos em que se utiliza somente a adubação nitrogenada.

Ou seja, a comparação não é entre inocular e adubar. É entre adubar e inocular mais adubar, e a segunda ganha.

A pergunta não é se a inoculação substitui o nitrogênio. É se ela soma ao nitrogênio que você já vai aplicar.

A recomendação

Por essa razão, nos cultivos irrigados, além da inoculação, recomenda-se a adubação com doses de até 60 kg/ha de N, aplicados parceladamente entre os 15 e os 35 dias após a germinação.

E o livro fecha com a frase direta: o rendimento de grãos do feijoeiro inoculado e adubado com N é maior que o do feijoeiro apenas com adubação nitrogenada.

Por que somar funciona

A explicação provável combina duas coisas. A fixação biológica entrega nitrogênio de forma distribuída ao longo do ciclo, acompanhando a demanda da planta, enquanto a adubação entrega em pulsos. E a nodulação traz efeitos que não se resumem ao nitrogênio, ligados ao próprio funcionamento da simbiose na raiz.

O nitrogênio mineral em dose moderada não elimina a nodulação; doses altas é que a inibem. A faixa de até 60 kg/ha parcelados preserva a simbiose enquanto complementa o suprimento.

O contraste com a soja

Vale marcar a diferença, porque a mesma pergunta tem respostas opostas nas duas culturas:

SojaFeijão irrigado
Nitrogênio mineralNão responde. Até 30 kg/ha no sulco não aumentaram o rendimento, e reduziram a nodulaçãoNecessário. Recomenda-se até 60 kg/ha parcelados
InoculaçãoSupre a necessidade da culturaNão supre sozinha, mas soma ao adubo

A diferença vem da biologia das duas simbioses: a do feijoeiro tem ciclo curto, senescência precoce dos nódulos, alta variabilidade entre cultivares e competição com estirpes nativas de baixa eficiência.

Como executar

  1. Inocule com dose cheia, 500 g para 50 kg de semente, à sombra e nas horas mais frescas.
  2. Cuidado redobrado com fungicida: o benomil tem alguma toxicidade ao rizóbio do feijoeiro, e carbofuran e captan são bastante tóxicos ao rizóbio em geral.
  3. Programe a cobertura nitrogenada parcelada entre 15 e 35 dias após a germinação, sem ultrapassar a faixa recomendada.
  4. Confira a nodulação arrancando plantas: no feijoeiro, a nodulação nas raízes secundárias é naturalmente mais abundante que na soja.

As doses das três safras estão em adubação de feijão no Cerrado. E o motivo de a simbiose do feijoeiro entregar menos que a da soja, em fixação biológica de nitrogênio. Os ganhos em sequeiro estão em inocular feijão de sequeiro.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 108.

Aplica esse conhecimento no seu próprio laudo

Cola seu laudo no SoloLab e recebe calagem, gessagem e adubação NPK calculadas pra sua cultura, com a memória de cálculo aberta. Grátis, sem limite de laudos.

Calcular meu laudo agora

Ou vá direto pra Calculadora de adubação NPK.