Lavoura de feijão em desenvolvimento no Cerrado
Inoculação

Inocular feijão de sequeiro: ganho de 63 a 290 kg/ha

Com a soja a decisão é simples: sem inoculante não há nodulação. Com o feijão a conversa é outra, porque a bactéria já está no solo. O que muda é a qualidade dela.

Por que o feijão é um caso à parte

O feijoeiro (Phaseolus vulgaris) é planta originária das Américas, e por isso encontram-se nos solos de Cerrado estirpes nativas de rizóbio capazes de nodulá-lo.

Isso deveria ser uma vantagem, e acaba sendo uma limitação. A presença dessas estirpes é um dos fatores que limitam o sucesso da inoculação, principalmente porque, em determinadas áreas, elas estão presentes em quantidades elevadas, chegando a 10³ células por grama de solo, e apresentam baixa eficiência fixadora, competindo pelos sítios de infecção nodular com as estirpes introduzidas.

Na classificação do livro, o feijoeiro está no grupo das leguminosas que nodulam com as estirpes nativas, mas com nódulos de baixa eficiência. A inoculação é sempre recomendada, mas a resposta nem sempre é satisfatória.

Os outros fatores que atrapalham

Além da competição, o livro lista limitações ligadas à própria planta e à bactéria:

A combinação desses fatores resulta no fato de que, no feijoeiro, diferentemente da soja, a inoculação nem sempre é suficiente para fornecer todo o nitrogênio exigido pela cultura.

O que a inoculação entrega

Apesar das restrições, o feijoeiro pode se beneficiar consideravelmente do processo biológico, sobretudo porque os inoculantes incluem estirpes mais eficientes que as existentes nos solos brasileiros. Estima-se que a fixação contribua, em média, com cerca de 50 kg/ha de nitrogênio para a cultura.

Os números de resposta variam muito conforme a condição:

SituaçãoGanho com inoculação
Várzea recuperada após drenagem, sem população nativa de rizóbioaté 1.776 kg/ha sobre a testemunha, e 535 kg/ha sobre o tratamento com fertilizante nitrogenado
Sequeiro, em Latossolos de Cerradoem média de 63 kg/ha a 290 kg/ha, variando conforme as cultivares

A diferença entre as duas linhas mostra o peso da competição: na área sem população nativa, a inoculação teve o campo livre e o resultado foi de outra ordem.

O potencial do feijão inoculado é grande. O que reduz o resultado no sequeiro é a fila de bactérias ruins que chegou antes.

Vale a pena?

Mesmo o piso da faixa de sequeiro, 63 kg/ha, costuma cobrir com folga o custo de uma dose de inoculante. E o teto, 290 kg/ha, quase cinco sacas, é um retorno expressivo para um insumo barato.

A recomendação, portanto, é inocular, com a expectativa calibrada: no feijão de sequeiro, o ganho é modesto e variável, não a transformação que se vê na soja.

Como aumentar a chance de resposta

O pacote completo da cultura, safra por safra, está em adubação de feijão no Cerrado. E o processo biológico por trás do ganho, em fixação biológica de nitrogênio. Sob pivô a recomendação muda: feijão irrigado.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 100 e 106-108.

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