Fosfato natural brasileiro em pastagem: a dose é o dobro
Fósforo é o nutriente mais importante para a formação de pastagens em solos da região do Cerrado, e a dose necessária costuma assustar quem vai reformar área grande. Daí o interesse pelo fosfato natural nacional, que custa bem menos por tonelada. A pergunta é se ele funciona, e a resposta do livro é mais generosa do que costuma circular.
As três eficiências
| Fonte | Eficiência em pastagem |
|---|---|
| Fosfatos solúveis (superfosfato simples e triplo) e termofosfatos | Referência. As três têm a mesma eficiência entre si. |
| Naturais reativos, de origem sedimentar (Gafsa, Arad, Carolina do Norte) | 75% a 85% no primeiro ano, 100% a partir do segundo ano após a implantação |
| Naturais brasileiros (Araxá, Patos de Minas) | 50% em relação aos solúveis |
Repare no primeiro item: termofosfato tem a mesma eficiência que o superfosfato em pastagem, apesar de não ser solúvel em água. Ele não entra no grupo dos naturais.
A regra para o nacional
Por causa dos 50% de eficiência, para os fosfatos naturais brasileiros é preciso aplicar o dobro da dose de P₂O₅ recomendada na tabela.
Isso muda inteiramente a conta de compra. Se o produto custa 40% do preço do superfosfato por unidade de P₂O₅, mas exige o dobro da dose, o custo do fósforo efetivo fica em 80% do superfosfato. Some o frete de duas vezes mais tonelada e a distribuição de duas vezes mais produto, e a vantagem pode desaparecer.
Não é que o fosfato nacional não sirva para pasto. É que a economia dele precisa sobreviver a uma dose dobrada.
Um exemplo com número
O próprio livro traz um caso trabalhado. Considere um solo com 45% de argila e 2,0 mg/dm³ de P, e o produtor deseja plantar Brachiaria decumbens, que é espécie pouco exigente. O caminho é:
- O solo com 45% de argila cai no intervalo de 36% a 60%.
- Nessa faixa, 2,0 mg/dm³ de P pertence à classe de baixa disponibilidade para espécies pouco exigentes, cujo intervalo é de 1,6 a 3,0.
- Para baixa disponibilidade e argila entre 36% e 60%, a recomendação é de 70 kg/ha de P₂O₅.
Se a fonte escolhida for fosfato natural de Araxá, a dose passa a ser de 140 kg/ha de P₂O₅. É sobre esses 140 kg que o preço precisa ser comparado.
Note que a interpretação de fósforo para pastagem considera três grupos de exigência das forrageiras, além do teor de argila. A mesma análise dá classes diferentes conforme a espécie que se vai plantar.
Como aplicar cada uma
A forma de aplicação não é livre:
- Fosfatos naturais e termofosfatos devem ser sempre aplicados a lanço e incorporados ao solo. Eles dependem de contato com o solo para se dissolver.
- Fosfatos solúveis podem ser aplicados a lanço ou em sulco.
Se o seu sistema não permite incorporação, o fosfato natural sai da mesa. Vale lembrar que fontes de baixa solubilidade em água, em áreas sem preparo, chegam a render bem menos do que no preparo convencional.
A conta que fecha a decisão
Compare por custo por quilo de P₂O₅ efetivo, e não por tonelada de produto:
- Pegue a dose da tabela para a sua classe e espécie.
- Dobre, se a fonte for natural brasileira.
- Converta em toneladas de produto pelo teor do rótulo.
- Some preço posto na fazenda, com frete.
- Some a operação de distribuição e a incorporação.
Feita assim, a comparação passa a ser justa, e às vezes o resultado surpreende nos dois sentidos.
Por que a rocha nacional se dissolve devagar está em fosfato natural reativo. O pacote completo da formação de pasto, em adubação de pastagem no Cerrado. E o que conferir antes de fechar a compra, em as 10 conferências. Como dividir a dose entre gramínea e leguminosa está em pasto consorciado.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 14, p. 373-374.
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