Pastagem consorciada de gramínea com leguminosa forrageira
Fósforo

Fósforo na formação de pasto consorciado: metade a lanço, metade no sulco

Consorciar gramínea com leguminosa resolve nitrogênio, melhora a qualidade da dieta e reduz a dependência de adubo nitrogenado. O custo dessa escolha aparece na hora de decidir a adubação fosfatada, porque as duas plantas não têm a mesma exigência nem ocupam o mesmo lugar no terreno.

A divisão que o livro propõe

Na fase de estabelecimento de pastagens consorciadas, pode-se aplicar metade da dose de fósforo exigida a lanço, como fosfato natural, e a outra metade no sulco, como fonte solúvel, para favorecer a leguminosa semeada na linha.

A lógica tem duas partes:

A condição que muda tudo

Essa divisão só faz sentido se a leguminosa for semeada na linha. Se ela for semeada a lanço, junto com o capim, não existe linha para favorecer, e a recomendação passa a ser outra: nesse caso, recomendam-se fontes de fósforo solúveis ou reativas.

Ou seja, sem a linha, o fosfato natural brasileiro sai da equação. O que sobra é fonte solúvel ou fosfato natural reativo de origem sedimentar, que rende de 75% a 85% já no primeiro ano.

A forma de semear a leguminosa decide a fonte de fósforo. É uma decisão que parece operacional e é agronômica.

Como aplicar cada fonte

FonteAplicação permitida
Fosfatos naturaisSempre a lanço e incorporados
TermofosfatosSempre a lanço e incorporados
Fosfatos solúveisA lanço ou em sulco

É por isso que a metade do sulco tem que ser solúvel: as outras fontes simplesmente não podem ir para lá.

A dose vem de duas variáveis

A recomendação de fósforo para estabelecimento de pastagem cruza a análise do solo com a exigência da espécie forrageira. O livro trabalha com três grupos de exigência, e a interpretação do resultado de fósforo é feita por tabelas específicas para esses grupos, tanto para Mehlich-1 quanto para resina.

Um detalhe relevante para o consórcio: a leguminosa costuma ser mais exigente que a gramínea. Isso já aparece na calagem, em que a meta de saturação por bases de um pasto consorciado é maior que a de um pasto solteiro. Vale o mesmo raciocínio ao escolher em qual grupo de exigência enquadrar a área.

Se a fonte for natural brasileira

Se a metade a lanço for feita com fosfato de Araxá ou de Patos de Minas, lembre da correção de eficiência: esses produtos rendem cerca de 50% em relação aos solúveis, o que exige o dobro da dose de P₂O₅ da tabela naquela parcela. Já os reativos sedimentares, como Gafsa, Arad e Carolina do Norte, rendem de 75% a 85% no primeiro ano e 100% a partir do segundo.

Um lembrete sobre prioridade

Antes de refinar o arranjo entre lanço e sulco, confirme que a dose total está certa. O fósforo é o nutriente mais importante para a formação de pastagens no Cerrado, e economizar nele durante a formação produz um pasto que nunca fecha, que nenhuma adubação de manutenção posterior consegue consertar.

As doses e metas da braquiária, solteira e consorciada, estão em adubação de pastagem no Cerrado. Se a área é de reforma, veja antes recuperação de pastagem degradada. Se a fonte escolhida for a rocha nacional, veja dobre a dose.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 14, p. 371-375.

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