Fósforo para eucalipto: tudo no plantio, e uma fonte solúvel na cova
Adubação de eucalipto tem uma característica que a separa da lavoura anual: existe uma janela curta, a implantação, em que dá para mexer no solo com a área inteira acessível. Depois disso, o que sobra é aplicação em superfície durante anos. Por isso o planejamento do fósforo se concentra ali.
Tudo no plantio
A recomendação é direta: o adubo fosfatado e os micronutrientes deverão ser aplicados de uma vez, no plantio, a lanço e incorporados.
Não há parcelamento de fósforo ao longo do ciclo, como se faz com nitrogênio e potássio. O motivo é prático: o fósforo é pouco móvel, não desce sozinho, e depois que o povoamento está formado não há mais como incorporar nada.
Onde economizar
Com o objetivo de reduzir os custos da implantação do povoamento florestal, parte do adubo fosfatado solúvel pode ser substituída por fosfatos naturais, finamente moídos, ou pelos de alta reatividade, distribuídos e incorporados em toda a área ou na faixa de plantio.
Faz sentido justamente aqui. O eucalipto é cultura de ciclo longo e crescimento contínuo, e a liberação gradual da rocha se encaixa nesse ritmo melhor do que numa cultura de 120 dias. A eficiência dos naturais de alta reatividade aumenta a partir do segundo ano, e o povoamento tem anos pela frente.
A exceção da cova
E aqui está a condição que não pode ser cortada do orçamento: se for utilizado fosfato natural ou de alta reatividade na adubação corretiva, para não prejudicar o estabelecimento inicial das mudas, utilizar uma fonte solúvel misturada ao solo retirado da cova de plantio.
A muda recém-plantada tem raiz mínima e precisa de fósforo disponível já nas primeiras semanas. A rocha ainda estará se dissolvendo quando ela precisar. A cova tem dimensão de referência de 30 cm × 30 cm × 30 cm, e a fonte solúvel vai misturada a todo esse solo, não jogada no fundo.
A corretiva a lanço constrói o povoamento dos próximos anos. A fonte solúvel na cova garante que a muda chegue lá.
O calendário de cobertura
Nitrogênio e potássio seguem outro roteiro:
- Iniciar a adubação de cobertura com N e K cerca de 30 a 40 dias após o plantio, parcelada em três vezes, durante o período chuvoso.
- Os adubos podem ser aplicados juntos, na forma de filetes contínuos ou em faixas da largura da projeção da copa.
- Entre 12 e 24 meses após o plantio, repetir a adubação de cobertura de N e K, novamente parcelada em três vezes durante o período chuvoso.
Se ainda faltar fósforo depois
Existe uma saída para o caso em que a corretiva não fechou: durante os primeiros anos após a implantação, caso haja necessidade de corrigir o teor de fósforo no solo, deverá ser utilizada uma fonte fosfatada solúvel, que pode ser parcelada junto com o N e o K, se possível com incorporação leve.
Note que aqui a fonte tem que ser solúvel. Sem incorporação profunda disponível, o fosfato natural não teria condição de se dissolver e ser aproveitado.
O restante do pacote de implantação
O fósforo é uma das quatro decisões de pré-plantio, e vale conferir as outras três antes de fechar o orçamento:
| Item | Critério |
|---|---|
| Calagem | Elevar a saturação por bases a 25% na camada de 0 a 20 cm, com Ca mínimo de 1,5 e Mg de 0,5 cmolc/dm³ |
| Gessagem | Se houver subsolo ácido, com m% acima de 20% ou Ca abaixo de 0,5 cmolc/dm³, em alguma camada até 80 cm |
| Corretiva de P e K | Pela interpretação de análise específica de culturas perenes |
| Micronutrientes | Conforme recomendação específica, aplicados junto do fosfatado |
Um detalhe que muda a conta por hectare: os espaçamentos usuais citados vão de 2,0 m × 2,0 m, com 2.500 plantas/ha, a 3,0 m × 2,0 m, com 1.667 plantas/ha. Tudo que for calculado por cova precisa ser multiplicado pela população correta antes de virar quilo por hectare.
Por que a régua do florestal é mais permissiva está em interpretação de laudo para florestais. E os micronutrientes que vão junto no plantio, em B, Zn e Mn na prática. A calagem que vem antes está em calagem para eucalipto.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 13, p. 345-347.
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