Tratamento de sementes de soja com fungicida antes da semeadura
Inoculação

Fungicida de semente e rizóbio: as misturas menos tóxicas

A orientação genérica de consultar a lista do fabricante não ajuda quem está com a semente na mão e o plantio marcado. O livro é mais específico, e nomeia produtos.

Quais grupos prejudicam a nodulação

Alguns defensivos podem matar as células de rizóbio do inoculante, e o efeito é variável, dependendo da planta, da estirpe utilizada e do defensivo. De maneira geral, prejudicam a nodulação:

Já os herbicidas e os defensivos contra nematoides são menos tóxicos ao rizóbio.

Os produtos citados nominalmente

ProdutoToxicidade ao rizóbio
CarbofuranBastante tóxico ao rizóbio em geral
CaptanBastante tóxico ao rizóbio em geral
BenomilAlguma toxicidade ao rizóbio do feijoeiro

São, segundo o livro, os defensivos mais utilizados no Cerrado dentro desse recorte, o que torna o alerta especialmente relevante.

A primeira decisão: precisa mesmo?

Antes de escolher a combinação, vale a pergunta anterior. Na soja, a utilização de sementes com alta qualidade fisiológica e sanitária merece destaque. Se as sementes forem de boa qualidade, as condições de umidade do solo forem favoráveis e a área não tiver histórico de doenças, deve-se procurar evitar o uso de fungicidas, particularmente em solos de primeiro cultivo.

A ressalva sobre o primeiro cultivo não é acidental: é onde não existe população de rizóbio no solo para compensar uma falha de inoculação.

As combinações preferíveis

Caso seja necessário usar fungicida, tanto em áreas de primeiro cultivo quanto em áreas com população estabelecida, deve-se dar preferência às combinações menos tóxicas:

Alternativamente, havendo conhecimento do principal patógeno que ocorre na área ou na semente, o fungicida pode ser escolhido em função da eficiência de cada produto contra aquele patógeno específico. Controlar o problema real costuma exigir menos produto que tratar por precaução.

A ordem da mistura

Quando há tratamento de sementes, a sequência é esta:

  1. Adicionar solução açucarada na concentração de 10% a 15% às sementes e misturar no tambor rotativo.
  2. Adicionar o defensivo na dose recomendada e misturar até que cubra uniformemente todas as sementes.
  3. Adicionar o inoculante e misturar. Se necessário, usar um volume adicional de solução açucarada para promover distribuição uniforme.
  4. Deixar secar à sombra.
  5. Semear em no máximo 24 horas. Se não for possível, repetir a inoculação no dia do plantio.

O princípio por trás da ordem: os defensivos são tóxicos para o rizóbio, então devem ser escolhidos os produtos de menor grau de toxicidade e o inoculante deve permanecer em contato com o defensivo pelo menor tempo possível. Por isso o inoculante entra por último, e por isso o prazo até a semeadura cai de 48 para 24 horas quando há tratamento.

A ordem existe para encurtar o tempo de convivência. Inoculante primeiro é o erro que ninguém percebe.

Compense na dose

Na presença de fungicidas e micronutrientes, coloque o maior número possível de células nas sementes, aumentando a dosagem do inoculante. E quando micronutrientes forem necessários junto do fungicida, aplique o molibdênio e o cobalto, parcial ou totalmente, via foliar, dos 20 aos 30 dias após a emergência até o florescimento.

O resto da operação de inoculação está em inoculação de soja. E a qualidade do lote, que é o que permite dispensar o fungicida, em PMS, germinação e pureza. Onde aplicar o molibdênio nesse caso está em semente ou folha.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 112-115.

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