Molibdênio e cobalto: quando tirar da semente e ir na folha
Molibdênio e cobalto são cofatores da fixação biológica: sem eles, a enzima que fixa o nitrogênio não trabalha direito. O caminho mais prático de aplicá-los é a semente, que é justamente onde o inoculante também vai. Aí começa o conflito.
O problema
A aplicação de formas salinas ou formulações inadequadas de micronutrientes nas sementes pode afetar drasticamente a sobrevivência do rizóbio, a nodulação e a eficiência da fixação de nitrogênio.
Não é um efeito sutil. A palavra usada é drasticamente, e o mecanismo é direto: sal em contato com célula bacteriana desidrata e mata. O inoculante pode estar dentro do prazo, com concentração correta, e chegar morto ao sulco.
A saída indicada
Quando for necessário adicionar micronutrientes e fungicidas às sementes, a orientação é aplicar, parcial ou totalmente, o molibdênio e o cobalto via foliar, dos 20 aos 30 dias após a emergência das plântulas, até o florescimento.
A janela é generosa e cobre o período em que a nodulação está se estabelecendo e a demanda pela enzima cresce. Aplicar nesse intervalo entrega o nutriente sem colocá-lo em contato com a bactéria no momento mais frágil dela, que é a semente.
O micronutriente não some se sair da semente. Quem some é a bactéria, se ele ficar lá.
Quando pode ficar na semente
Se você não vai usar fungicida, a situação é mais folgada. O molibdênio via tratamento de sementes é prática consolidada, e o cobalto também. O cuidado passa a ser a formulação: evitar formas salinas e produtos de formulação inadequada.
Se houver micronutriente e defensivo juntos, a orientação de sequência é aplicar os micronutrientes junto com os defensivos, no mesmo momento, e não misturados diretamente ao inoculante.
A ordem na máquina de tratar semente
Em máquina de tratamento de sementes, a separação fica clara nos compartimentos:
- Primeiro compartimento: a calda do defensivo em solução açucarada de 10% a 15%, e, quando necessário, os micronutrientes.
- Segundo compartimento: o inoculante de turfa puro, sem adicionar água nem solução açucarada.
Ou seja, micronutriente e inoculante entram por vias separadas, e o contato entre eles é o menor possível.
Compense com dose de inoculante
Há uma orientação que fecha o raciocínio e vale para qualquer arranjo: como a boa nodulação resulta de um grande número de células viáveis, na presença de fungicidas e micronutrientes deve-se colocar o maior número possível de células nas sementes, aumentando a dosagem do inoculante.
Não é desperdício. É reposição antecipada das células que serão perdidas no contato.
Roteiro prático
| Situação | Onde aplicar Mo e Co |
|---|---|
| Sem fungicida na semente | Semente, com formulação adequada, evitando formas salinas |
| Com fungicida na semente | Foliar, parcial ou totalmente, dos 20 aos 30 dias após a emergência até o florescimento |
| Semente de alta qualidade, solo úmido, área sem histórico de doença | Procurar evitar o fungicida, e manter tudo na semente |
Vale ainda o princípio geral que o livro registra sobre esse tema: diante da dificuldade de compatibilizar inoculação, micronutrientes e fungicidas, o mais importante é avaliar cada situação, e não seguir uma receita fixa.
As doses e o diagnóstico dos micronutrientes da região estão em B, Zn e Mn na prática. A escolha da formulação, que é justamente o que decide se o rizóbio sobrevive, em óxido, sulfato ou quelato. E os limites da via foliar, em adubação foliar. A escolha do fungicida que motiva a ida para a folha está em misturas menos tóxicas.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 113-115.
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