Coleta de folhas para análise foliar em lavoura de soja
Adubação

Relação N:S na folha: o que ela mostra e o que ela esconde

Análise foliar é a ferramenta natural quando o solo já está corrigido e a dúvida é o que a planta de fato absorveu. No caso do enxofre, além do teor absoluto costuma-se olhar a relação entre nitrogênio e enxofre na folha, e essa relação exige leitura cuidadosa.

Os teores adequados

CulturaTeor foliar de S adequadoRelação N:S adequada
Sojapor volta de 0,25%por volta de 20:1
Milhopor volta de 0,18%por volta de 12:1
Cafeeiropor volta de 0,18%por volta de 16:1

Repare que os três valores de relação são bem diferentes entre si. Não existe uma relação N:S universal, e usar a referência de uma cultura em outra produz diagnóstico errado.

A primeira armadilha: relação alta nem sempre é falta de S

A leitura intuitiva é que uma relação N:S acima do adequado indicaria deficiência de enxofre. É uma das possibilidades, mas a mesma relação alta pode ter como causa o excesso de nitrogênio.

Uma relação é uma fração: ela sobe se o numerador aumenta ou se o denominador diminui. Numa lavoura que recebeu adubação nitrogenada pesada, o N foliar sobe e a relação vai junto, sem que exista qualquer problema de enxofre.

É por isso que a relação nunca deve ser lida sozinha. Ela precisa vir acompanhada do teor absoluto de enxofre. Se o S está em 0,25% na soja e a relação está alta, o problema é excesso de N, não falta de S.

A segunda armadilha: os dois em falta

Esta é mais perigosa, porque produz um resultado que parece bom. A deficiência dos dois nutrientes ao mesmo tempo resulta em relação aparentemente adequada.

Se o nitrogênio caiu e o enxofre caiu na mesma proporção, a razão entre eles permanece na faixa. O laudo mostra 20:1 numa soja faminta dos dois, e quem olhar só a relação vai descartar as duas hipóteses ao mesmo tempo.

Uma relação normal com dois teores baixos é o falso negativo mais caro da análise foliar.

Como ler direito

O roteiro que evita os dois erros:

  1. Olhe primeiro os teores absolutos. Nitrogênio e enxofre, cada um contra a faixa adequada da sua cultura.
  2. Depois olhe a relação. Ela é uma informação adicional, não o diagnóstico.
  3. Cruze com o solo. A análise de enxofre no solo, na média das camadas de 0 a 20 e de 20 a 40 cm, diz se existe reserva no perfil.
  4. Considere o estádio e a folha amostrada. As interpretações não valem para amostragens feitas fora do padrão de coleta previsto para a cultura.

Alternativas de interpretação

Existe uma abordagem que trata desse problema de forma sistemática, o DRIS, que avalia as relações entre todos os nutrientes em conjunto em vez de comparar cada teor isoladamente com uma faixa. Ele reduz parte do efeito de diluição e concentração ligado ao crescimento da planta, mas exige normas calibradas para a cultura e a região.

O sintoma visual como reforço

Há um sinal de campo que ajuda a separar deficiência de enxofre de deficiência de nitrogênio, e ele é útil justamente porque a relação foliar pode confundir os dois. A deficiência de enxofre provoca clorose que aparece primeiro nas folhas mais novas, porque o sulfato é pouco móvel dentro da planta. A de nitrogênio aparece primeiro nas folhas velhas, que cedem o nutriente para as novas.

É um indício, não um diagnóstico. Confirmar continua exigindo análise, de preferência de solo e de folha, lidas juntas.

Como ler o laudo foliar como um todo está em laudo foliar: o que olhar. E o diagnóstico de enxofre pelo solo, em o macronutriente esquecido do Cerrado. A dose calculada pelo solo está em a conta do enxofre.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 9, p. 235-236.

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