Área de Cerrado recém-incorporada ao sistema de produção
Inoculação

Abertura de área no Cerrado: a soja não nodula sem inoculante

Em área que já teve soja, dá para discutir se a reinoculação paga. Em área de primeiro cultivo não existe discussão, e o motivo é anterior a qualquer conta econômica: a bactéria não está lá.

O solo nativo não tem o rizóbio da soja

Os solos sob vegetação de Cerrado não apresentam populações de rizóbios nativos capazes de nodular a soja. Não é uma questão de quantidade baixa: é ausência da bactéria específica.

A soja (Glycine max) pertence ao grupo de leguminosas que geralmente não nodulam com as estirpes nativas, sendo necessária sua inoculação. Fazem parte do mesmo grupo a ervilha, a lentilha, a leucena, a alfafa e o grão-de-bico.

Por isso a instrução do livro é curta: a inoculação em solos de primeiro cultivo é obrigatória.

Por que não resolver com nitrogênio

A alternativa aparente seria adubar com nitrogênio mineral e ignorar a fixação biológica. Foi o que se fez na década de 1970, quando a soja chegou ao Cerrado e a inoculação ainda falhava: era comum o uso de adubos nitrogenados para o cultivo.

A razão de aquilo ter sido abandonado é econômica. A soja responde a nitrogênio mineral apenas em quantidades elevadas e economicamente inviáveis. A cultura precisa de muito nitrogênio, e comprar tudo isso em saco não fecha em nenhum cenário de preço realista.

Para dar a dimensão: estima-se que, nos cinco milhões de hectares de soja da região do Cerrado, o uso da inoculação promova uma economia anual de 1 milhão de toneladas de nitrogênio, pela não utilização de adubos nitrogenados.

Fixação biológica na soja não é uma economia opcional. É o que torna a cultura viável no Cerrado.

Por que falhou no começo

Vale conhecer a história, porque ela explica por que a escolha da estirpe importa. Entre os principais fatores do insucesso inicial estava a utilização, no inoculante, de estirpes com problemas de especificidade hospedeira em relação à cultivar de soja mais usada na época, a IAC-2.

Em 1980 foram lançadas para inoculante comercial as estirpes de Bradyrhizobium elkanii 29w (SEMIA 5019) e SEMIA 587. Além da boa eficiência fixadora e da alta capacidade competitiva, elas tinham baixa especificidade hospedeira, sendo capazes de formar nódulos com a maioria das cultivares recomendadas. Foi esse lançamento que permitiu o cultivo da soja no Cerrado sem adubos nitrogenados.

Os cuidados em área nova

Como não há população nativa para amortecer uma falha, o primeiro cultivo é justamente onde os erros de inoculação custam mais caro:

Como conferir se deu certo

Em área nova, vale acompanhar de perto. O nódulo aparece do quinto ao oitavo dia após a emergência, e aos doze dias uma nodulação de quatro a oito nódulos por planta já pode ser considerada satisfatória. No início da floração, uma boa nodulação seria de 15 a 30 nódulos por planta, com interior róseo.

Se a nodulação falhar em área de primeiro cultivo, não há rede de segurança no solo. Detectar cedo é o que permite alguma correção na mesma safra.

Como a planta e a bactéria montam a simbiose está em fixação biológica de nitrogênio. Os erros de execução que matam a bactéria antes do sulco, em inoculação de soja. E o pacote de adubação em área nova, em NPK para soja no MATOPIBA. E por que não colocar nitrogênio de arranque, em 30 kg/ha não pagaram.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 99-102, e Capítulo 5, p. 131.

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