Nitrogênio de arranque na soja: 30 kg/ha não pagaram
A ideia é intuitiva: uma dose pequena de nitrogênio no sulco sustentaria a soja nas primeiras semanas, antes de a nodulação assumir. O problema é que ela foi testada, e o resultado é consistente.
O que os experimentos mostram
A adubação com até 30 kg/ha de N no sulco de plantio não proporcionou aumentos significativos no rendimento da soja inoculada, tanto em solo de primeiro cultivo quanto em área antiga com populações estabelecidas de rizóbio.
Desde o lançamento das estirpes 29w e 587, em 1979, não é necessária a adubação nitrogenada na soja, e diversos resultados de pesquisa indicam que a soja bem nodulada não responde à aplicação de adubos nitrogenados em diferentes estádios do crescimento.
E no plantio direto
Com a expansão do plantio direto, a dúvida voltou por outro caminho: a palhada imobilizaria nitrogênio, e a competição inicial com plantas daninhas justificaria um arranque. Foi testado também.
Nas áreas de plantio direto também não é necessária a utilização de doses iniciais de N na semeadura da soja. Mesmo com aplicação de 26 t/ha de massa seca de palhada, a soja não respondeu a doses de até 30 kg/ha de N.
O efeito indesejado
Não se trata apenas de gasto sem retorno. A utilização de adubo nitrogenado promove reduções no número de nódulos aos 15 dias após a germinação.
E aqui está o alerta que mais importa: em áreas de primeiro cultivo, onde não existem populações de rizóbio no solo, esse retardamento inicial da nodulação provocado por pequenas doses de nitrogênio pode ter consequências mais sérias, acarretando inclusive prejuízos na produtividade.
A lógica biológica é conhecida: nitrogênio mineral disponível sinaliza à planta que não é preciso investir em nódulo. Em área com rizóbio estabelecido, ela se recupera quando o nitrogênio acaba. Em área nova, o atraso pode custar a safra.
A dose de arranque não atrasa só o nódulo. Em área nova, ela atrasa a única fonte de nitrogênio que a lavoura vai ter.
A única situação em que se justifica
O livro deixa uma porta aberta, e ela é estritamente comercial: o uso de adubos nitrogenados no plantio só é justificado se a fórmula contendo N for mais barata ou tiver o mesmo preço que a fórmula sem N.
Mesmo nesse caso, existe um teto: a dose aplicada no sulco não deve exceder 20 kg/ha de N, porque o excesso de nitrogênio inibe a nodulação.
Ou seja, nitrogênio na fórmula da soja é tolerado quando vem de carona, nunca comprado de propósito.
Como decidir na revenda
- Compare o preço da fórmula com N e da fórmula sem N por unidade de P₂O₅ e de K₂O, que são os nutrientes que você realmente quer.
- Se a com N for igual ou mais barata, calcule quanto de N ela entrega na dose que você vai usar.
- Se passar de 20 kg/ha de N no sulco, escolha a outra.
- Em área de primeiro cultivo, prefira a fórmula sem nitrogênio mesmo com pequena diferença de preço.
Se a lavoura está amarelando
Amarelecimento em soja jovem costuma levar à aplicação de nitrogênio por impulso. Antes disso, vale cavar. Aos doze dias, quatro a oito nódulos por planta já indicam nodulação satisfatória, e no início da floração o esperado são 15 a 30 nódulos, com interior róseo. Se os nódulos estão lá, o problema é outro, e nitrogênio só vai reduzi-los.
Quanto nitrogênio a simbiose entrega está em fixação biológica de nitrogênio. O pacote de adubação da soja, em NPK para soja no MATOPIBA. E por que o N não sai do laudo, em por que o nitrogênio não aparece. Em área nova o prejuízo é maior: veja abertura de área no Cerrado. O mesmo argumento aplicado à palhada está em plantio direto e nodulação.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 103-106 e 116.
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