Pomar jovem implantado em solo de Cerrado
Fósforo

A tabela de fósforo da cultura perene não é a mesma da anual

Um mesmo teor de fósforo pode ser classificado de formas diferentes conforme o que se vai plantar. Isso já vale entre grupos de cultura, e vale de forma bem concreta entre culturas anuais e perenes, que têm tabelas separadas no livro.

A tabela das perenes

Para culturas perenes e semiperenes, a interpretação da análise, com fósforo extraído por Mehlich-1, tem três classes: baixo, médio e adequado. Os limites variam com o teor de argila:

Teor de argilaBaixoMédioAdequado
até 15%menor que 12,012,1 a 18,0acima de 18,0
16% a 35%menor que 10,010,1 a 15,0acima de 15,0
36% a 60%menor que 5,05,1 a 8,0acima de 8,0
acima de 60%menor que 3,03,1 a 6,0acima de 6,0

Teores em mg/dm³ de P, extrator Mehlich-1.

A nota de rodapé que decide gasto

A tabela traz uma observação curta e valiosa: acima dos limites superiores da classe média, não se recomenda a adubação.

Ou seja, uma vez que o teor entra na classe adequada, a recomendação de adubação fosfatada corretiva é zero. Num solo com mais de 60% de argila, isso acontece já a partir de 6,0 mg/dm³. É um número que, lido pela régua de uma cultura anual, pareceria baixo.

Comparando as duas réguas

Para culturas anuais em sequeiro, os níveis críticos são 4, 8, 15 e 18 mg/dm³ para textura muito argilosa, argilosa, média e arenosa, e a escala tem cinco classes: muito baixo, baixo, médio, adequado e alto, correspondendo a faixas de rendimento potencial.

São estruturas diferentes, com número de classes diferente e cortes de argila diferentes. Não dá para converter uma na outra de cabeça, e é por isso que a escolha da tabela precisa vir antes da leitura do laudo.

O laboratório mede o solo. A tabela julga o solo em relação a uma cultura. Trocar a tabela troca o julgamento sem mudar uma vírgula da análise.

Por que a perene se contenta com menos

Três razões se somam. A planta perene tem anos para explorar o mesmo volume de solo, então alcança formas de fósforo que uma raiz de ciclo curto não alcança. A extração anual é distribuída, e não concentrada numa janela de poucas semanas. E parte do nutriente retorna ao sistema pela própria serapilheira, em vez de sair inteira na colheita.

Como usar na prática

Ao mandar amostras de uma área que vai receber café, fruteira ou floresta, informe isso ao laboratório ou faça a interpretação por conta própria com a tabela correta. E peça sempre o teor de argila junto: sem ele, nenhuma das duas tabelas funciona.

Se a mesma fazenda tem lavoura e cultura perene, mantenha os laudos separados e interpretados por réguas diferentes. É o tipo de detalhe que passa despercebido quando o consultor emite uma recomendação única para a propriedade inteira.

Depois de escolher a classe

Com a classe definida, a dose de adubação corretiva sai de uma tabela própria, cruzando disponibilidade de fósforo e teor de argila. A aplicação, nesse caso, é a lanço, em toda a área ou nas faixas de plantio, seguida de incorporação ao solo, feita na implantação da cultura.

O princípio geral por trás disso está em por que a mesma análise muda de classe. Para a régua do sistema florestal, veja interpretação de laudo para florestais. E o teor de argila, que comanda as duas tabelas, em areia, silte e argila. Onde aplicar em cada fase da cultura está em cova ou projeção da copa.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 13, p. 323-325, e Capítulo 6, p. 153-155.

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