Faixas de tratamento demarcadas em lavoura para teste na propriedade
Adubação

Teste de faixa na fazenda: como saber se o adubo pagou

Recomendação de adubação vem de experimento feito em outro lugar, em outro solo, em outro ano. Ela é a melhor referência disponível, e ainda assim a pergunta que interessa é sempre a mesma: isso responde na minha área? Existe uma forma barata de descobrir.

Para que serve

Testes com aplicação de um insumo, realizados na propriedade e planejados e executados com rigor pelo técnico e pelo proprietário, podem revelar a magnitude das respostas das culturas àquele insumo no ano agrícola. Essas informações, associadas aos demais procedimentos de diagnose, permitem decidir com mais segurança sobre as aplicações futuras em toda a área.

O livro traz essa recomendação no capítulo de enxofre, mas registra explicitamente que o mesmo é válido para outros insumos agrícolas.

Os princípios que não podem faltar

Princípios básicos de experimentação agronômica se aplicam também a esses testes:

A regra que mais aumenta a confiabilidade

Poucos tratamentos devem ser utilizados, para facilitar o gerenciamento do teste e aumentar a confiabilidade dos resultados, incluindo-se sempre um tratamento testemunha sem aplicação.

São duas orientações e as duas contrariam o impulso natural. A primeira é resistir à tentação de testar cinco doses e três fontes de uma vez: quanto mais tratamentos, mais chance de erro operacional e menos repetições para cada um. Duas ou três faixas bem conduzidas valem mais que dez malfeitas.

A segunda é a testemunha. Sem uma faixa que não recebeu nada, não existe comparação, apenas a impressão de que a lavoura foi bem. E impressão não é medida.

Sem faixa sem adubo, não existe teste. Existe só uma lavoura adubada e uma opinião.

Um roteiro prático

  1. Escolha um talhão uniforme, de preferência plano, com solo homogêneo e histórico conhecido.
  2. Marque faixas do tamanho da barra do pulverizador ou da distribuidora, para que a aplicação seja limpa.
  3. Alterne faixa com insumo e faixa testemunha, repetindo o par pelo menos três vezes ao longo do talhão.
  4. Registre tudo: data, dose real aplicada, fonte, condição de solo e de clima na aplicação.
  5. Colha e pese cada faixa separadamente, corrigindo a umidade dos grãos.
  6. Compare a média das faixas com insumo contra a média das testemunhas, e olhe também a variação entre repetições do mesmo tratamento.

Se a diferença entre as faixas com insumo for maior que a diferença entre as repetições de um mesmo tratamento, você tem um sinal. Se não for, o resultado é inconclusivo, e repetir no ano seguinte é mais honesto que forçar uma leitura.

O que o teste responde e o que ele não responde

Ele responde à magnitude da resposta naquele ano agrícola, naquele talhão. Não substitui a análise de solo, nem o histórico da área, nem os sintomas visuais, nem a análise foliar. O próprio livro coloca o teste como um dos procedimentos de diagnose, ao lado dos outros, e não acima deles.

Ele também não captura efeito residual. Um insumo como o enxofre, cuja aplicação pode sustentar rendimentos até o quinto ano, precisa ser avaliado ao longo de safras, e não numa só.

O que a análise de solo resolve e o que ela não resolve está em a análise aumenta a produtividade?. Para transformar a colheita em decisão, veja mapa de produtividade. E o roteiro de investigação quando duas áreas divergem, em duas áreas, o mesmo adubo. Um caso em que o teste responde rápido está em a conta do enxofre.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 9, p. 237.

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