Pilha de calcário agrícola em pátio de propriedade rural
Calagem

Só tem calcário calcítico na região: como suprir o magnésio

A recomendação padrão é conhecida: magnésio baixo no laudo, calcário dolomítico. O problema é que essa regra é escrita como se todo produtor tivesse as duas opções na revenda, e muita região só tem calcítico a preço de frete razoável. A pergunta prática, então, não é qual é melhor, e sim o que fazer quando só existe um.

A resposta é sim, com condição

O livro autoriza: pode-se usar calcário calcítico desde que se adicione magnésio ao solo. Não é uma concessão vaga, é uma troca explícita de função. O calcítico faz a neutralização da acidez, e o magnésio entra por outra porta, como nutriente.

Isso desfaz a leitura de que calcítico em solo pobre em Mg é sempre erro. O erro é usar calcítico e não repor o magnésio. Aí sim o cálcio aplicado passa a competir com o pouco magnésio que existe, e a deficiência que já era latente aparece na lavoura.

As duas alternativas do livro

Existem ainda fontes que entregam magnésio junto de outro nutriente, como o sulfato de magnésio e o termofosfato magnesiano. Ao usar qualquer uma delas, a conta é a mesma: converta o teor de MgO do produto para o magnésio que ele entrega por hectare e compare com o que falta.

O piso que não se fura

Duas referências do livro delimitam o alvo:

Vale prestar atenção nessa amplitude. A faixa aceitável de Ca:Mg é bem mais larga do que costuma circular em conversa de campo, e o critério que realmente manda é o valor absoluto de magnésio, não a proporção. Um solo com Ca:Mg de 6:1 e Mg de 0,9 está melhor servido de magnésio do que um solo com Ca:Mg de 3:1 e Mg de 0,3.

Relação equilibrada com teor baixo continua sendo teor baixo. A planta absorve magnésio, não proporção.

Como montar a decisão

Mg no laudo (cmolc/dm³)Se só houver calcítico
Acima de 0,5, com Ca:Mg dentro de 10:1Calcítico resolve. Acompanhe o Mg nas próximas análises, porque a calagem calcítica repetida vai puxando a relação.
Abaixo de 0,5Calcítico só com reposição de Mg junto: 300 a 500 kg/ha de dolomítico, ou óxido de magnésio.

A conta do frete

Antes de concluir que o dolomítico é inviável, faça a comparação do jeito certo. O livro dá a fórmula do preço efetivo:

Preço efetivo = (valor do calcário posto na fazenda × 100) ÷ PRNT

Comparar preço por tonelada de produto compara coisas diferentes, porque um calcário de PRNT 60% exige mais tonelada para o mesmo efeito. Com o preço já corrigido pelo PRNT e já incluindo o transporte, às vezes o dolomítico distante empata com o calcítico local, e a discussão inteira desaparece.

A escolha entre os dois calcários pelo teor do laudo está em dolomítico ou calcítico. Para entender por que um não substitui o outro na planta, o papel do cálcio e do magnésio. E a conta do preço efetivo em PRNT: por que o barato sai caro. Sobre usar o sulco para nutriente e não para correção, veja calcário no sulco de semeadura.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 3, p. 83 e 85.

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