Aplicação de nitrogênio em cobertura em lavoura de milho
Adubação

Época da cobertura de nitrogênio: o estádio de cada cultura

Errar a dose de nitrogênio custa dinheiro. Errar a época custa a dose inteira, porque o nitrogênio aplicado fora da janela de absorção tem tempo de sobra para volatilizar, lixiviar ou ser imobilizado antes que a planta o procure.

A regra geral

A adubação de cobertura deve ser feita antes do florescimento, pois mais de 50% do nitrogênio total é absorvido nesse período.

Essa é a régua que vale para qualquer cultura de grão. O florescimento marca a virada: a partir dele a planta passa a redistribuir o que já acumulou, em vez de absorver muito do solo. Nitrogênio que chega depois encontra uma planta que já decidiu quantos grãos vai formar.

O limite do milho irrigado

Uma referência específica que vale como corte prático: em milho irrigado, não se aplica nitrogênio depois de 16 folhas.

É comum ver aplicação tardia como tentativa de resgatar uma lavoura que amareleceu. Depois desse ponto, o efeito sobre o rendimento é pequeno, e o custo é integral.

Cultura por cultura

CulturaMomento da cobertura
MilhoEm torno de 7 a 8 folhas, antes do florescimento. Em irrigado, nunca depois de 16 folhas.
ArrozMetade da dose no perfilhamento, cerca de 30 dias após a semeadura, e metade no primórdio floral.
TrigoInício do perfilhamento, cerca de 14 dias após a emergência.
AveiaInício do estádio de perfilhamento.

Repare no padrão nas gramíneas de inverno: a cobertura é bem cedo, ligada ao perfilhamento, porque é o perfilhamento que define o número de espigas por metro quadrado. Nitrogênio depois disso não cria perfilho.

Por que o parcelamento importa junto

Época e parcelamento resolvem o mesmo problema por dois caminhos. O nitrato não é retido pelas cargas do solo e desce com a água, então aplicar tudo de uma vez expõe a dose inteira a um único evento de chuva forte.

Parcelar reduz a quantidade em risco por vez e aproxima cada parcela do momento de demanda. No arroz, por exemplo, a divisão entre perfilhamento e primórdio floral cobre os dois picos de absorção da cultura.

A pergunta não é quando sobra tempo na fazenda para aplicar. É quando a planta está pronta para absorver.

Condições que valem mais que o calendário

Três fatores decidem se a dose vai chegar à planta, e todos são mais importantes que o dia exato:

Ajuste pela cultura anterior

A dose de cada cobertura também muda conforme o histórico. Um exemplo do próprio livro, para a aveia: as quantidades de nitrogênio recomendadas podem ser reduzidas em 40% quando a cultura for implantada em área de baixo potencial de resposta a N, como área cultivada com soja nos últimos três anos ou mais, e devem ser aumentadas em 20% em áreas de alto potencial de resposta, como Cerrado recém-incorporado ao sistema de produção ou primeiros anos de plantio direto.

É o mesmo raciocínio para as demais gramíneas: cultura anterior e tempo de sistema mudam o que o solo entrega, e portanto o que falta comprar.

A perda que mais depende da hora da aplicação está em volatilização de nitrogênio. Para escolher a fonte conforme o cenário, veja ureia comum, protegida ou nitrato de amônio. E o mapa completo das transformações, em o ciclo do N no solo. E por que dose maior rende menos, em o último quilo rende menos. O caso da aveia, com ajuste de até 40% pela cultura anterior, está em adubação da aveia.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 5, p. 141, e Capítulo 12, p. 288-290 e 313.

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