Colheita de silagem com máquina forrageira em campo
Adubação

Silagem e feno esgotam o potássio: a conta da extração

Existe uma diferença entre colher grão e colher planta inteira que quase não aparece nas conversas de adubação, e ela é grande o suficiente para esgotar um solo em poucos anos.

Os dois números lado a lado

SistemaPotássio envolvido
Milho grão, 8 t/ha, restos mantidos no campomanutenção mínima de 48 kg/ha de K₂O
Soja, 3 t/ha, restos mantidos no campomanutenção mínima de 60 kg/ha de K₂O
Silagem de capim-napier, 40 t/haextração da ordem de 960 kg/ha de K₂O

Vinte vezes a manutenção de um milho grão. Não é erro de digitação: é o que acontece quando a colheita leva a planta inteira em vez de apenas os grãos.

Por que a diferença é tão grande

O potássio se concentra nas partes vegetativas, não no grão. Ele não faz parte de estruturas da planta; fica em forma iônica, atuando em regulação osmótica e ativação enzimática, e a maior parte dele está no colmo e nas folhas.

Na colheita de grão, essa massa toda fica no campo e devolve o potássio ao solo em poucas semanas de decomposição. Na silagem e no feno, ela vai embora na carreta.

É por isso que as doses de manutenção do livro trazem a ressalva de que consideram os restos culturais mantidos na área. Sem essa condição, elas não valem.

Colher grão é exportar uma fração do potássio. Colher silagem é exportar quase todo ele.

O alerta do livro

O texto é explícito ao afirmar que a negligência com a adubação potássica em silagem e feno pode resultar em grandes prejuízos. A frase não é retórica: é a descrição do que acontece com uma área de capineira ou de milho para silagem adubada como se fosse lavoura de grão.

O sintoma clássico chega antes na produtividade que no laudo: a produção de massa cai, o rebrote fica lento, as folhas velhas amarelam pelas bordas e progridem para necrose, o colmo afina. Quando o produtor finalmente manda a análise, o potássio já está muito baixo.

Como refazer a conta

Para área destinada a silagem ou feno, a adubação potássica precisa ser calculada pela extração da planta inteira, e não pela tabela de manutenção da mesma cultura colhida para grão. Os passos:

  1. Estime a produção real de massa por hectare, e não a potencial.
  2. Use o teor de potássio na matéria seca da forrageira ou da cultura em questão para calcular a extração.
  3. Reponha essa quantidade, distribuída ao longo do ano nos cortes ou ciclos.
  4. Confirme com análise de solo periódica, porque a queda é rápida em área de corte.

Parcelar deixa de ser opcional

Doses dessa magnitude não podem ser aplicadas de uma vez. Duas razões:

Vale ainda a referência do próprio livro sobre saturação: para solos originalmente de Cerrado, recomenda-se não ultrapassar 3,0% de saturação de potássio na CTC, porque acima disso o potencial de perda por lixiviação é grande, particularmente em Areias Quartzosas.

Onde vale prestar atenção

Áreas de capineira, de milho ou sorgo para silagem, de cana forrageira e de produção de feno são as candidatas naturais a esse esgotamento. Se a mesma fazenda tem lavoura de grão e área de corte, mantenha os dois sistemas com adubação separada. A média entre eles não serve para nenhum dos dois.

Para a cultura que mais aparece nesse sistema, veja adubação de sorgo forrageiro. Como dividir a dose sem perder para a chuva está em lixiviação de potássio e parcelamento. E quando o esgotamento já aconteceu, em recuperação de pastagem degradada. O contraste com a colheita de grão está em a palhada devolve potássio.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 7, p. 171 e 181-182.

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