Fosfato natural em perene: onde substituir e onde não substituir
A adubação corretiva de fósforo para implantar uma cultura perene costuma ser a maior linha do orçamento, e o fosfato natural aparece como forma de reduzi-la. A troca é prevista pelo livro, com uma condição que não pode ser negociada.
A quantidade não muda
O primeiro ponto desfaz um mal-entendido comum: a quantidade de P₂O₅ a ser aplicada ao solo deve ser a mesma, independentemente da fonte escolhida. Trocar de fonte não reduz a dose, reduz o preço por unidade de fósforo. O que muda é a velocidade com que esse fósforo fica disponível.
O que pode ser substituído
Como a quantidade de fertilizante fosfatado para corrigir o solo é elevada, a alternativa para reduzir custos é a substituição de parte do adubo fosfatado solúvel em água por fosfatos naturais finamente moídos ou de alta reatividade, distribuídos e incorporados em toda a área ou na faixa de plantio.
Duas condições aparecem já nessa frase:
- Finamente moído. A granulação de produtos de baixa solubilidade em água resulta em dissolução mais lenta e menor eficiência no ano da aplicação.
- Incorporado. A rocha depende de contato com o solo e com a acidez para se dissolver.
Qual fosfato natural
O livro é claro sobre a escolha: os fosfatos naturais encontrados no mercado geralmente são de baixa eficiência inicial, devendo-se dar preferência aos de alta reatividade, que para culturas anuais apresentam, logo no primeiro ano, cerca de 60% de equivalência com as fontes solúveis. A partir do segundo ano essa eficiência aumenta gradativamente.
E aqui está o argumento que torna a prática especialmente adequada à cultura perene: essa liberação gradual pode ser mais bem aproveitada pelas plantas de crescimento lento. O que é defeito numa soja de 120 dias é característica compatível com um cafezal que vai ocupar a área por uma década.
A condição do pH
Um cuidado que costuma passar despercebido: em solos com pH em água maior que 6,0, a dissolução desses fosfatos é mais lenta. A dissolução da rocha depende de acidez, e a calagem reduz justamente isso.
Em área que acabou de receber calagem pesada, portanto, o fosfato natural encontra o pior ambiente possível para trabalhar. Vale planejar a ordem das operações, e não aplicar os dois no mesmo momento esperando que os dois rendam.
Onde a substituição não vale
Esta é a parte que não admite economia. Independentemente do pH do solo, para não prejudicar o estabelecimento inicial das mudas, recomenda-se uma aplicação localizada de fonte solúvel em água ou em citrato neutro de amônio (CNA), misturando o fertilizante em todo o solo das covas, de modo que fique próximo às raízes das plantas.
A lógica é de sobrevivência da muda. A planta recém-transplantada tem sistema radicular pequeno e precisa de fósforo imediato para se estabelecer. Nenhuma rocha, por mais reativa que seja, entrega isso nas primeiras semanas. Perder mudas para economizar na cova é o pior negócio possível numa implantação.
Fosfato natural constrói o solo ao redor. Fonte solúvel salva a muda. Os dois papéis não se substituem.
Nas adubações seguintes
Na adubação de formação e na de produção, também deverão ser utilizadas fontes solúveis em água ou em CNA, aplicadas a lanço na projeção da copa para espécies arbóreas, ou em faixas, se possível com incorporação leve.
O arranjo que costuma funcionar
| Etapa | Fonte | Aplicação |
|---|---|---|
| Corretiva de implantação | Parte solúvel, parte natural de alta reatividade, finamente moído | A lanço em toda a área ou na faixa, incorporado |
| Cova de plantio | Solúvel em água ou em CNA, sem exceção | Misturado a todo o solo da cova |
| Formação e produção | Solúvel em água ou em CNA | Projeção da copa ou faixas |
As condições que o fosfato natural exige para funcionar estão em fosfato natural reativo. Para o pacote de adubação de um cafezal, veja adubação do café arábica. O mesmo arranjo num povoamento florestal está em fósforo para eucalipto.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 13, p. 323-325, e Capítulo 6, p. 163.
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