Sacaria de fertilizante fosfatado em depósito de fazenda
Fósforo

Fosfato parcialmente acidulado entrega metade do superfosfato

O fosfato parcialmente acidulado aparece como um meio-termo tentador: custa menos que o superfosfato e promete mais que o fosfato natural. A pergunta certa não é se ele funciona, e sim quanto dele funciona, porque é isso que decide se o desconto compensa.

O que é

O superfosfato nasce de rocha fosfática atacada por ácido sulfúrico. O fosfato parcialmente solubilizado passa pelo mesmo processo, mas com menos ácido. Parte da rocha é acidulada e vira fósforo prontamente disponível; a outra parte continua sendo rocha.

Os produzidos a partir de concentrados fosfáticos nacionais têm cerca de 50% do fósforo total solúvel em CNA. A outra metade permanece na forma da rocha de origem, que no Brasil é majoritariamente ígnea e de dissolução lenta.

O resultado no campo

Testes efetuados com esses produtos no Cerrado e em outras regiões mostraram eficiência agronômica em médio prazo, quatro anos, de aproximadamente 50% em relação ao superfosfato.

A conclusão que o livro tira desse resultado é o dado que realmente interessa: somente a fração solúvel em CNA foi aproveitada pelas culturas anuais. A metade não acidulada, em quatro anos de avaliação, não se converteu em produção.

Ou seja, a eficiência de 50% não é uma perda parcial distribuída pelo produto inteiro. É a metade que funciona funcionando, e a metade que não funciona ficando parada.

A conta que decide a compra

Se o produto entrega metade, ele só compensa se custar menos da metade por unidade de fósforo efetivo. A comparação correta usa o P₂O₅ que a cultura vai aproveitar, não o P₂O₅ total do rótulo.

PassoO que fazer
1Pegue o teor de P₂O₅ total do rótulo.
2Considere apenas a fração solúvel em CNA mais água, que é a garantia usada para fosfatos acidulados.
3Calcule o custo por quilo de P₂O₅ sobre essa fração, não sobre o total.
4Compare com o mesmo cálculo feito para o superfosfato.
5Some o frete: menos fósforo efetivo por tonelada significa mais tonelada transportada.

Na maior parte das cotações, quando essa conta é feita até o fim, o desconto por tonelada não cobre a diferença de eficiência.

Preço por tonelada de produto não é preço de fósforo. É preço de saco.

Onde ele pode fazer sentido

Existe uma leitura mais favorável em situações específicas, e vale ser justo com o produto:

Vale lembrar que fontes de baixa solubilidade em água, em áreas sem preparo, chegam a produzir 50% menos grãos do que no preparo convencional. Em plantio direto consolidado, esse produto está no pior cenário possível.

Uma armadilha na análise depois

Áreas adubadas com fontes de menor solubilidade em água pedem cuidado na interpretação do laudo seguinte. O Mehlich-1 dissolve parte do fosfato ainda não reagido e superestima o disponível, o que faz o produtor concluir que o solo está mais construído do que está. Para essas áreas, recomenda-se a análise e a interpretação pelo método da resina.

Resumo

Se o vendedor oferece fosfato parcialmente acidulado, a pergunta é uma só: qual o teor solúvel em CNA mais água no rótulo, e quanto custa o quilo de P₂O₅ calculado sobre esse teor? Com esse número na mão a decisão fica simples, e normalmente ela é a mesma.

O primo mais conhecido dele está em fosfato natural reativo. Para comparar com as fontes plenamente aciduladas, MAP, DAP ou superfosfato. E o cuidado na análise de solo depois, em Mehlich-1 e resina. Em pastagem a conta da rocha nacional é outra: veja dobre a dose.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 6, p. 162-165.

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