Potássio: adubação corretiva total ou corretiva gradual
No fósforo, corrigir de uma vez é quase sempre o melhor negócio, porque o produto fica adsorvido no solo e vai sendo liberado. No potássio a lógica é outra, e a diferença vem de um único fato: potássio não fica preso, ele fica trocável, e o que está trocável pode descer com a água.
Os três sistemas comparados
Um ensaio em solo argiloso de Cerrado, com quatro cultivos de soja, comparou três formas de colocar potássio na área:
| Sistema | Resultado relativo |
|---|---|
| Aplicação anual de doses menores | Maior eficiência |
| Corretiva de 100 kg/ha de K₂O a lanço, seguida de manutenção anual no sulco | Eficiência intermediária |
| Dose única mais elevada, aplicada no primeiro cultivo | Menor eficiência |
A ordem é o contrário do que se faz com fósforo, e o motivo é físico-químico, não agronômico no sentido vago.
Por que a dose única perde
O potássio aplicado fica adsorvido nos sítios de troca do solo, disponível para a raiz. Só que ele é um cátion monovalente e fica menos preso que o cálcio e o magnésio, que são divalentes. Em solo de Cerrado, com fração argila pobre em cargas e CTC dependente principalmente da matéria orgânica, os sítios são poucos.
Uma dose alta de uma vez satura os sítios disponíveis e deixa potássio na solução. O que está na solução acompanha a água. Ao longo de quatro cultivos, essa fração some, enquanto na aplicação anual cada dose menor encontra sítios livres e permanece.
Fósforo corrigido de uma vez fica guardado no solo. Potássio corrigido de uma vez fica na solução esperando a próxima chuva.
Quando parcelar dentro da safra também compensa
Além da divisão entre anos, existe o parcelamento dentro do ciclo, e ele tem indicação clara:
- Em Areia Quartzosa, parcelar a dose de 60 kg/ha de K₂O em vez de aplicá-la toda no sulco de plantio aumentou o rendimento da soja em 14%, o equivalente a seis sacas de 60 kg por hectare.
- Em solos mais argilosos, com CTC mais elevada, o parcelamento não proporcionou aumentos significativos de produção. Nessas condições ele pode significar apenas aumento de custo, pelas operações adicionais de máquina.
Há uma exceção prática que vale para qualquer textura: em culturas que já exigem adubação de cobertura com nitrogênio, o parcelamento do potássio é recomendável, porque a operação já vai acontecer de qualquer forma.
Os limites de dose no sulco
Duas balizas evitam prejuízo:
- Doses elevadas de cloreto de potássio no sulco podem ter efeito depressivo, principalmente pelo efeito salino sobre a germinação em condições de estresse hídrico. O risco é pequeno até 100 kg/ha de KCl, o que corresponde a 60 kg/ha de K₂O.
- Em solos com CTC a pH 7,0 menor que 4,0 cmolc/dm³, doses acima de 40 kg/ha de K₂O devem ser preferencialmente parceladas. E nesses solos de baixa CTC, o emprego do adubo potássico deve ser preferencialmente a lanço.
Um cuidado na amostragem
Antes de decidir qualquer dose, vale saber que a amostragem de potássio tem uma armadilha própria. No final do ciclo da cultura ocorre lavagem de potássio dos tecidos vegetais, e o nutriente se concentra nas proximidades da linha de plantio.
Se a coleta cair predominantemente sobre a linha, o laudo mostra um potássio que não existe na média da área. Colete muitos pontos e distribua entre linha e entrelinha, ou padronize sempre da mesma forma para poder comparar análises de anos diferentes.
Como montar a decisão
- Amostre com cuidado e levante o histórico da área: tipo de solo, adubações feitas e rendimentos obtidos.
- Se o solo é argiloso, com CTC boa, a corretiva de 100 kg/ha de K₂O a lanço seguida de manutenção anual no sulco é um arranjo razoável e prático.
- Se o solo é arenoso ou de CTC baixa, prefira doses anuais menores, a lanço, e parcele dentro do ciclo.
- Evite a dose única elevada em qualquer cenário. É a opção de menor eficiência das três.
Sobre a fonte, a escolha é curta: no Brasil, a maioria do adubo potássico é comercializada como cloreto de potássio, e essa é a fonte mais econômica. O que está sob o seu controle é a dose e o modo de aplicação.
O parcelamento dentro da safra está detalhado em lixiviação de potássio e parcelamento. A capacidade do solo de segurar o que recebe, em CTC efetiva e potencial. E a escolha da fonte, em cloreto ou sulfato de potássio. Em solo não corrigido nada disso se sustenta: veja sem calagem, o potássio desce.
Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 7, p. 177-180.
Aplica esse conhecimento no seu próprio laudo
Cola seu laudo no SoloLab e recebe calagem, gessagem e adubação NPK calculadas pra sua cultura, com a memória de cálculo aberta. Grátis, sem limite de laudos.
Calcular meu laudo agoraOu vá direto pra Calculadora de adubação NPK.