Raiz de soja com nódulos sendo avaliada no campo
Inoculação

Reinocular soja em área antiga: o que mostram 16 ensaios

Depois de alguns anos plantando soja, o rizóbio se estabelece no solo e a lavoura passa a nodular sozinha. A pergunta natural é se ainda vale comprar inoculante todo ano. O livro tem número para responder.

Os 16 experimentos

Em dezesseis experimentos conduzidos em solos com população estabelecida, no campo experimental da Embrapa Cerrados, em relação ao tratamento sem inoculação, foram observados ganhos de produtividade em 60% dos experimentos, com incrementos de até 636 kg/ha no rendimento de grãos.

O livro é honesto sobre a natureza desses ganhos: eles são modestos, dificultando a obtenção de diferenças estatisticamente significativas, mas têm sido observados consistentemente.

Em trabalhos semelhantes no Sul do país, os incrementos com a reinoculação variaram de 3,2% a 14,5%, com ganhos médios de 4,5%.

Por que a resposta é menor que em área nova

A inoculação em solo de primeiro cultivo é obrigatória, e a resposta lá é grande. Em área antiga, ela cai por um motivo específico: a competição entre as estirpes do solo e as do inoculante pelos sítios de infecção nodular nas raízes, ou seja, pelos locais onde os nódulos serão formados.

As estirpes que já estão no solo chegam primeiro e ocupam esses sítios. As introduzidas precisam disputar. Esse fenômeno ocorre no mundo inteiro e é apontado como o grande desafio da pesquisa em rizobiologia.

A vantagem numérica necessária

Aqui está o dado que explica por que a dose importa tanto na reinoculação. Para conseguir competir com a população de rizóbio já estabelecida no solo, é necessária uma vantagem numérica de pelo menos mil vezes.

E em alguns solos, principalmente naqueles em que já foi cultivada a leguminosa, as populações de rizóbio chegam a cem mil bactérias por grama de solo. Contra essa população, um inoculante de baixa concentração simplesmente não entra.

Em área nova, o inoculante ocupa um espaço vazio. Em área antiga, ele precisa vencer uma disputa, e disputa se ganha no número.

A dose muda o resultado

Um experimento da Embrapa Cerrados mostrou isso de forma direta: houve resposta significativa à reinoculação no tratamento com 1 kg de inoculante para cada 50 kg de sementes, comparado ao tratamento com apenas 200 g para 50 kg.

Além do aumento no rendimento, houve aumento expressivo na ocorrência, nos nódulos, dos serogrupos das estirpes usadas no inoculante. A presença do serogrupo ao qual pertence a estirpe CPAC 7 praticamente triplicou no tratamento com a dose mais elevada.

Existe, porém, uma ressalva importante: com inoculantes de melhor qualidade, isto é, com maior número de células de rizóbio e ausência de contaminantes, doses inferiores a 1 kg por 50 kg de sementes garantem o sucesso da reinoculação. O que conta é o número de células que chega à semente, não o peso do saco.

A cultivar também interfere

Outro fator que muda a resposta é a cultivar de soja. Num ensaio comparativo, a resposta da cultivar Cristalina à reinoculação foi mais acentuada que a da Doko. E há ainda a composição sorológica das estirpes já estabelecidas no solo, que varia de área para área.

Isso ajuda a explicar por que dois produtores vizinhos podem ter percepções diferentes sobre o mesmo produto.

A conta que decide

Ganho médio na casa de 4,5%, com incrementos que chegaram a 636 kg/ha nos casos favoráveis, contra o custo de uma dose de inoculante. É uma conta que, na maioria dos preços praticados, fecha com folga: uma dose bem feita custa menos que um saco de ureia.

Se você vai reinocular, três decisões aumentam a chance de resposta:

Os cuidados de execução que decidem o resultado estão em inoculação de soja. Como a simbiose funciona por dentro, em fixação biológica de nitrogênio. E o ganho de somar uma segunda bactéria, em coinoculação. A dose que vence a competição está em quantas células por semente. Para conferir no campo se pegou, veja onde ficam os nódulos.

Referências: SOUSA, D. M. G. de; LOBATO, E. (ed.). Cerrado: correção do solo e adubação. 2. ed. Planaltina: Embrapa Cerrados, 2004. Capítulo 4, p. 100-104 e 109.

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